Em causa estão os desmandos alegadamente protagonizados por alguns operadores turísticos que, segundo denúncias apresentada ao Presidente da República, Armando Guebuza, na sua recente visita de trabalho a este distrito, na quadro da presidência aberta e inclusiva, não respeitam os usos e costumes das comunidades ali residentes, para além de não pagarem os 20 por cento provenientes da exploração sustentável dos recursos naturais.

As comunidades acusam ainda os fiscais daquela reserva de protagonizarem arbitrariedades que vão desde o espancamento de pessoas indefesas até a proibição de uma simples caça de animais de pequeno porte para o consumo familiar.

Com efeito, um interveniente que falou durante um comício popular, na localidade de Lugenda, pediu ao presidente para que autorize o seu deslocamento para áreas protegidas de amimais selvagens, com destaque para elefantes, que devastam machambas, provocando uma cíclica insegurança alimentar, para além de óbitos que se têm registado em algumas povoações de Mecula resultantes de ataques de animais.

Segundo aquele interveniente, tal facto ocorre devido ao reduzido número de fiscais florestais, que actuam sem as mínimas condições de trabalho, tendo, na ocasião, solicitado a integração de graduados do Instituto Médio de Fauna e Ecoturismo de Marrupa, que se encontram sem ocupação desde a sua formação já vai muito tempo.

O “Ecoturismo”, baptizado com o nome de Armando Emílio Guebuza, foi aberto em Marrupa em cumprimento de uma orientação do Presidente da República.

Na altura, a população queixou-se de invasão das suas machambas por animais, com enfoque para elefantes.

Estranhamente, aquele estabelecimento de ensino médio foi transferido, este ano lectivo, para a cidade de Lichinga, depois de uma disputa com o Ministério da Defesa Nacional das instalações militares onde se encontrava a funcionar, na vila-sede de Marrupa.

Outros problemas apresentados ao Chefe do Estado relacionam-se com as deficientes condições das vias de acesso, incluindo a construção de uma ponte sobre o rio Rovuma que, segundo a população, permitiria a ligação de Niassa com a República da Tanzania, à semelhança do que acontece com a Ponte da Unidade, em Cabo Delgado.

A despeito, a população de Mecula reconhece o envolvimento do Governo moçambicano na melhoria das condições de vida da população, a quem pedem para que continue a criar condições para a preservação da paz no país, travando assim o clima de aparente insegurança que se verifica em Moçambique.

“Queremos paz, não queremos guerra, não queremos correr dum lado para outro, fugindo de insegurança”, pediu Sadique Omar, que, segundo suas palavras, eclodindo uma nova guerra, deitaríamos abaixo todos os investimentos feitos durante os 20 anos de paz.

Respondendo a algumas dessas intervenções, o Chefe do Estado pediu à população para conservar aquilo que considerou de conquistas populares, nomeadamente a independência, unidade nacional e a paz, adiantando que isso passa pela colaboração com as autoridades da reserva na conservação da nossa riqueza.

“O Governo tem responsabilidades para com o seu povo, nomeadamente no que se refere à criação de condições para o seu bem-estar, por isso, vamos estudar caso a caso todas as preocupações aqui levantadas”, prometeu Armando Guebuza, a terminar.

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