Politica Dhlakama furtou-se ao debate – acusa Oposição Construtiva

Dhlakama furtou-se ao debate – acusa Oposição Construtiva

Falando ontem em conferência de imprensa sobre os contornos que estiveram por detrás da inviabilização do encontro com Afonso Dhlakama em Santungira, o porta-voz do grupo, Miguel Mabote, explicou que pelas 14.00 horas de quinta-feira, dia 11 de Julho corrente, o grupo recebeu uma solicitação da Renamo sobre a necessidade de formalização do pedido da audiência.

Tendo o feito, o grupo reuniu-se em Maputo com o chefe do Departamento de Administração Interna e Poder Local deste partido, Jeremias Pondeca, de quem tomou conhecimento de que Afonso Dhlakama estaria disponível a receber os partidos sábado ou domingo e que para o efeito a concentração seria na sede da Renamo em Gorongosa.

Refira-se que o grupo havia manifestado verbalmente a Jeremias Pondeca, num encontro dos partidos políticos havido dia 5 de Julho num dos hotéis da capital, o desejo de se encontrar com o líder da Renamo em Santungira para abordar questões ligadas à pacificação do país.

“O nosso espanto foi quando o senhor Jeremias Pondeca, juntamente com o assessor para as Relações Exteriores da Renamo nos aconselharam a ir a Santungira mas nunca abordarmos o assunto da desmilitarização da Renamo, porque o líder poderia ficar muito constrangido e aborrecido, ao que nós rejeitámos assumir este posicionamento, porque levávamos a mesma agenda que levámos ao Chefe do Estado. Assim, partimos na sexta-feira via terrestre, tendo chegado às 22.30 horas na vila de Gorongosa à espera do ajuntamento de todos os partidos”, disse.

Miguel Mabote revelou que na noite de sábado o grupo tomou conhecimento, através da televisão pública, que para o encontro com o líder da Renamo estavam excluídos os partidos Trabalhista, por si dirigido, o PIMO, de Yá-Qub Sibindy, PEC, de João Massango, e PANAMO, de Marcos Juma.

“Analisámos a situação e concluímos que o líder da Renamo teve medo de abordar questões nacionais profundas com estes líderes visionários, tendo optado em receber os chamados Oposição de Mãos Dadas, que por sinal são parte da coligação com a Renamo em processo de formalização”, disse.

Miguel Mabote afirmou que quem devia seguir muito formalismo na autorização duma audiência é o Chefe do Estado. Sublinhou que a audiência concedida pelo Presidente da República à oposição extraparlamentar não obedeceu a nenhuns formalismos e a mesma foi coordenada através do seu porta-voz.

Explicou que o problema que esteve por detrás da inviabilização do encontro com Afonso Dhlakama começou quando Jeremias Pondeca e o assessor para as Relações Exteriores da Renamo aconselharam para que não fosse debatida a questão da desmilitarização.

“Nós dissemos que vamos (ao encontro) revestidos de consciência própria. Dhlakama teve medo de nos enfrentar. Não tem argumento do por que é que ele continua militarizado. Não tem. Nós presenciámos o sofrimento das pessoas. Quando nós passássemos na via pública as pessoas vendiam amendoim, vendiam banana. Ficavam de longe, por causa do terror. O país não pode continuar a viver assim”, disse, acrescentando que o líder da Renamo não pode continuar a ser temido.

Miguel Mabote afirmou que o grupo dos quatro partidos não ia a Santungira fazer turismo, mas sim pelo interesse pela paz, pelo interesse dos moçambicanos. Para o presidente do Partido Trabalhista, Afonso Dhlakama escapou-se do debate.

“Eles dizem agora que vamos conversar. Nós aceitamos, mas não seja em Santungira. Tem que ser num lugar neutro. Mas uma coisa é certa. Aquele grupo que foi recebido por Dhlakama está coligado à Renamo”, disse, acrescentando que o que houve em Santungira entre Afonso Dhlakama e a chamada Oposição de Mãos Dadas foi uma concertação de ideias sobre como é que a Renamo deve actuar, não propriamente para a pacificação.

Miguel Mabote afirmou que de agora em diante o grupo vai continuar a luta pela pacificação do país. Disse que o Governo não pode usar argumentos para espezinhar a Renamo, mas também esta não tem autoridade moral nem política para sobreviver à custa da sua militarização.

“Nós vamos continuar a trabalhar no sentido de veicularmos a opinião da sociedade até à mesa do diálogo entre as duas partes. Estamos dispostos a conversar com Dhlakama, mas em pé de paridade de ideias. Ele disse que ia nos receber mas nós já não aceitamos ir a Santungira, porque a segurança lá maltrata gente. Maltrata gente em Vunduzi”, disse.

Entretanto, António Muchanga, quadro da Renamo, disse a jornalistas à margem da conferência de imprensa que o grupo dos quatro partidos avançou a Gorongosa sem ter esperado pela resposta à carta formal de pedido do encontro com Afonso Dhlakama.

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