Politica NIASSA: Marrupa diz “não” ao retorno à guerra

NIASSA: Marrupa diz “não” ao retorno à guerra

A inquietação foi manifestada durante o comício que o Presidente Armando Guebuza orientou no Posto Administrativo de Nungo, 45 quilómetros a leste da sede distrital de Marrupa, inserido na presidência aberta que o estadista vem realizando ao Niassa.

“Estamos preocupados com o que está a acontecer em Sofala. Não queremos mais cemitérios por causa da guerra. Não queremos mais correr de um lado para outro por causa das balas”, disse Benjamim Bacar, um dos dez cidadãos que falaram, na ocasião, desafiando que “quem provocar a guerra que vá afogar-se ao mar”.

Esta expressão provocou fortes aplausos dos populares que tomaram parte do comício, tendo, de seguida, sido secundado por alguns outros cidadãos.

“A guerra não pode voltar mais, porque o país já arrancou rumo ao desenvolvimento”, disse outro cidadão de nome Lourenço Augusto.

A mensagem de repúdio à guerra e apelo à paz foi também ouvida nas canções entoadas por grupos culturais durante o comício.

O “não à guerra”, lançado pelas populações de Marrupa vem na sequência dos ataques violentos protagonizados por homens armados em algumas zonas da província de Sofala, alguns dos quais assumidos pela Renamo.

O ataque mais recente ocorreu na última terça-feira contra um paiol das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) em Savane, distrito de Dondo, também em Sofala, que resultou em pelo menos cinco mortos e alguns feridos.

O Governo atribui a Renamo a autoria deste ataque, mas esta força politica, através do seu Chefe do Departamento de Informação, Jerónimo Malagueta, veio a público negar que tenham sido os seus homens a atacar o paiol.

Porém, durante a conferencia de imprensa na qual a Renamo negou autoria do ataque, ameaçou paralisar, a partir de ontem, de toda a movimentação de comboios na linha férrea que liga a cidade da Beira ao distrito de Moatize, na província de Tete, bem como viaturas ao longo da Estrada Nacional Número 1 (EN1).

Para além desta preocupação, a população de Marrupa, particularmente do Posto Administrativo de Nungo, colocou questões relacionadas, essencialmente, com a insuficiência de pessoal de saúde e de agentes da Policia, bem como de fontes de água.

Na ocasião, pediram também a energia eléctrica da rede nacional, ambulância e o melhoramento do subsídio que vem sendo pago aos idosos e pessoas vulneráveis, entre várias questões.

Ao contrário do que frequentemente tem acontecido em alguns locais por onde o Chefe de Estado escala no âmbito da presidência aberta em que a população se queixa de alegadas más práticas por parte das autoridades locais, em Marrupa foram unânimes em elogiar o desempenho da administração distrital e do Conselho Muncipal.

Comentando às questões colocadas, o Presidente da República disse que as mesmas seriam matéria de estudo, sendo que algumas teriam resposta imediata e outras, pela sua natureza, precisarão de algum tempo.

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