Esta crise está a afectar a muitas famílias nas duas cidades que tem o carvão vegetal como a única fonte alternativa para o confeccionamento das suas refeições.

Nos poucos mercados onde é possível ainda encontrar o carvão está a registar-se a especulação dos preços. A título de exemplo, o saco de carvão, custa entre 800 e 950 meticais contra os 600 e 650 meticais anteriores.

Já a lata de 10 litros oscila entre 200 e 220 contra 130 e 150 meticais anteriores, facto constatado no Mercado Mukoreano, um dos maiores centros fornecedores de carvão à capital.

Noémia Júlio Sambo, vendedora de carvão no Mercado Mukoreano, que adquire aquele recurso nos distritos de Massingir e Chókwè, província de Gaza, disse que a situação é deveras preocupante e não sabe lá muito bem o que se está a passar “Está difícil. Esta semana o comboio veio sem carvão não sabemos até quando vão resolver o problema que impossibilita a exploração de carvão”, disse Noémia Sambo.

Uma outra revendedora no mesmo mercado, identificada por Amélia José Abdul, reconhece haver oportunismo por parte de alguns dos seus colegas que praticam preços especulativos para obter uma grande margem de lucro e continuar a alimentar o negócio.

Sem emissão de licenças: Carvão vegetal escasseia em Maputo e Matola

“Este carvão que estão a ver é o último stock que estava guardado nalgumas casas que vêm nos vender e compramos a um preço alto, daí que somos igualmente forçados a praticar preços elevados de forma a lucrar um pouco para conseguir sustentar as nossas famílias”, comentou Amélia Abdul.

A mesma opinião é partilhada por Arlindo King, do Mercado Vulcano, para quem a crise do carvão vegetal não tem explicação plausível.

“Há falta de carvão mas não posso explicar qual é o problema. A obtenção da licença está a ser dificultada e não temos quem nos possa fornecer. Como vêem, isto está completamente vazio, sem um saco sequer. Há muito que não acontecia algo igual”, afirmou.

Odete Agostinho, uma dos exploradores daquele combustível no distrito de Massingir, província de Gaza, o principal fornecedor de combustível lenhoso consumido nas cidades de Maputo e Matola, esclareceu que a situação poderá durar até o tempo que houver uma autorização para o transporte do carvão já produzido.

“Falou-se de que entre os dias 15 e 20 de Abril teríamos licenças, porém, até hoje estamos aqui sem nada, enquanto na floresta o carvão está a se estragar, porque já temos o produto. O que nos falta são as licenças para transportar o carvão”, explicou.

 

O Jornal Noticias