Em conexão com a caça e corte de madeira ilegais foram remetidos, no ano passado, 20 processos crimes às autoridades judiciais para os devidos efeitos, ao mesmo tempo que tantos outros, cuja solução é de carácter local, foram traduzidos em multas que, entretanto, se esperam que sejam liquidadas pelos envolvidos, segundo apurou a nossa Reportagem junto do administrador do Parque Nacional de Zinave, Amândio Nkavando.
No entanto, o nosso interlocutor manifestou preocupação pelo facto de volvidos 15 dias estabelecidos pela lei nenhum dos visados tenha se apresentado na direcção do parque para a liquidação das referidas multas.
Nas operações desenvolvidas pelos fiscais florestais, ainda de acordo com a nossa fonte, foram apreendidas, no ano passado, 65 flechas, três machados, 25 catanas, 61 zagaias, quatro mil cabos de aço, duas motorizadas, 25 bicicletas, uma ratoeira, 19 lanternas, um tambor com capacidade de 210 litros, entre outros bens. Neste período foram também destruídos 1.300 metros de cabo de aço.
Dos estragos constatados, de acordo com informações prestadas ao governador da província de Inhambane, Agostinho Trinta, que trabalhou há dias naquele local de conservação, com objectivo de se inteirar do conflito entre as comunidades locais e o Parque Nacional de Zinave contabilizam-se abates de búfalos, cudos, um número não identificado de inhalas, macacos, zebras e gazelas.
Amândio Nkavando explicou que conflito que se regista entre a comunidade e a estrutura do parque, acontece pelo facto de o PNZ se encontrar inserido no meio das populações e, devido à escassez de chuvas, a caça tem sido alternativa para a sobrevivência das comunidades.
“Temos estado a sensibilizar as comunidades locais para respeitarem os animais na reserva, explicando que o Governo protege mas devido à exiguidade de recursos materiais e financeiros, vezes sem conta, perdemos a guerra com as comunidades porque há caça e corte de madeira ilegalmente”, disse Nkavando.
O administrador do Parque Nacional de Zinave disse que a sua instituição conta com cinco viaturas em bom estado mas que não circulam por falta de combustível, um efectivo de 38 fiscais florestais, número a quem das necessidades para uma área de 3.600 quilómetros quadrados.
No quadro de repovoamento daquela reserva, foram introduzidos, no ano passado, 58 zebras, 78 bois cavalos e cerca de 100 girafas. Estes animais, segundo Amândio Nkavando, estão num santuário precisamente para evitar o seu abate por caçadores furtivos que chegam a instalar acampamentos no interior do parque.
NÃO CONFRONTAÇÃO COM OS GUARDAS
Entretanto, o governador da província de Inhambane apelou às populações residentes no Parque Nacional de Zinave para não entrarem em confrontação com os fiscais florestais, nem mesmo exercer actividades proibidas por lei porque, segundo disse, os recursos florestais e faunísticos ali existentes são protegidos pela lei.
Agostinho Trinta fez esta mobilização na sequência das queixas levantadas pelas populações, durante o comício realizado na localidade de Tanguane, segundo as quais os fiscais florestais agridem e confiscam bens dos populares que são encontrados na reserva, mesmo sem praticar actividades ilícitas.
Zacarias Chirindza, Samuel Acácio e Aminosse Chivaningo queixaram-se ao governador provincial de terem sido alvos de agressões físicas alegadamente protagonizadas pelos fiscais florestais. Na ocasião apresentaram varas e paus que teriam sido usados pelos fiscais na agressão bem como peças de roupa rasgadas durante a tortura de que teriam sido alvos.
Sobre o facto, o governador provincial disse que é necessário que as comunidades e os funcionários de Estado afectos ao parque de Zinave respeitem-se mutuamente. “Vamos trabalhar de acordo com a lei, a violência não faz parte do funcionalismo público. Não é com chamboco que vamos resolver os problemas aqui ou em qualquer outra parte”, observou Agostinho Trinta.
Entretanto, informações em nosso poder dão conta que Samuel Acácio, que teria sido violentamente espancado pela guarda-fiscal da reserva, é um foragido do policiamento comunitário, sendo que trabalhava com os fiscais no combate à caça furtiva. Na sequência disso, conhecia os planos operativos da guarda e, a dado momento, desapareceu e fundou uma força paralela para caçar em locais onde sabia que os fiscais não chegavam.
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