A propósito da homenagem foram proferidas palavras de apreço que, segundo o cirurgião Manuel Simão, um dos colegas da área e nalgum momento instruendo, ultrapassam a dimensão das qualidades de Péntek.
Do rol das qualidades daquele cirurgião, Simão destaca uma que nos dias que correm, ninguém ousa seguir como, por exemplo, trabalhar sem nada em troca. “Durante todo o tempo que esteve em Moçambique formou quadros quer a nível dos hospitais como na Universidade Eduardo Mondlane, sempre sem nada em troca quando muitos de nós, não fazemos nada se não houver algo em contrapartida”, disse Simão.
Para além de formar quadros, aquele cirurgião foi sucessivas vezes às províncias em situações de crise de especialistas do seu ramo, como forma colmatar lacunas e evitar que os pacientes ficassem sem a devida assistência.
“Lembro-me que quando estava na Zambézia como director provincial da saúde em 1985/86, ele escalou o distrito de Mocuba. Desde 1978 sempre deu aulas na UEM de borla e participou muito activamente no processo de gestão da enfermaria de Cirurgia II onde sempre trabalhou no âmbito da mama, tiróide ”, sublinhou Simão.
Referiu que Péntek é um exemplo muito eloquente daquilo que deve ser um bom médico que não olha sacrifícios, não pede benefícios extras, serve as pessoas com maior à vontade e com muita ética e moral.

Trata-se de uma primeira homenagem que se faz a um médico estrangeiro. O Departamento de Cirurgia e o MISAU acharam por bem fazer esta homenagem apesar das dificuldades, pois o que tem acontecido na Saúde é falar-se de coisas más e muito poucas vezes se fala de coisas boas.
“Ele é exemplo de como é possível em ambiente de dificuldades, com poucos recursos poder se fazer a saúde e dedicar-se ao trabalho da melhor maneira possível, servir directa ou indirectamente a população. Uma homenagem a ele, sem menosprezar as que se podem fazer a outros colegas no futuro, dignifica não só a ele como as outras pessoas que passaram das suas mãos”, finalizou Manuel Simão.
“Vou falecer”! foi com estas palavras que reagiu à nossa pergunta sobre o que resta fazer uma vez já no solo húngaro. Homem de poucas palavras com um “quê” de comédia à mistura, Péntek disse que deu quase toda a sua vida profissional nestes últimos 35 anos em Moçambique por gosto.
Contou-nos que veio a Moçambique com a sua família em 1978. Seus dois filhos tinham na altura 13 e 15 anos de idade, respectivamente. Estudaram na Escola Secundária Josina Machel e mais tarde foram para Hungria.
Durante a sua estadia recorda-se de várias situações de crise do pessoal especializado na área de cirurgia e, vezes sem conta, ele e o professor Ivo Garrido, trabalharam arduamente na cirurgia do tórax, que incluía o coração, pulmão esófago, no Hospital Central de Maputo.
Contou-nos que terminou a sua formação em Medicina em 1960 e, dezoito anos depois veio para Moçambique. Nesse percurso teve que retornar ao seu país por três anos e mais tarde viria a fixar-se em Maputo até hoje. Em Junho completa 77 anos de vida e disse deixar o país com um espírito de missão cumprida!
“Não fiz nada de extraordinário. Trabalhei e mais nada. Só o facto de ter ficado mais de 30 anos é sinal de que gostei de Moçambique”, disse Péntek.
Durante o tempo em que esteve a trabalhar em Moçambique, contou com apoio incondicional de sua esposa Ana Péntek, que a todo o momento esteve do seu lado e soube compreender as diversas etapas da sua missão pelo país.
“Sem a minha esposa não podia viver porque alguém precisa de quem cuide da sua casa”, enfatizou Péntek.
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