Tomás Félix disse que o grupo não concorda com o plano de boicote às eleições autárquicas de 20 de Novembro próximo, muito menos com a intenção de impedir que cidadãos possam se recensear e votar livremente.
“Embora concordemos com a ideia de paridade na representação partidária nos órgãos eleitorais, não vemos como é que a ausência dessa paridade possa impedir a vitória eleitoral de um partido como a Renamo, se estiver organizado para vencer. Exemplo há no nosso país, em que um partido político novo conseguiu vencer uma eleição intercalar em Quelimane sem nenhuma representação nos órgãos eleitorais.
Isso prova que o problema está na organização daquele que quer contestar uma eleição”, disse, acrescentando que paridade nos órgãos eleitorais, nomeadamente na Comissão Nacional de Eleições e nos seus órgãos de apoio aos níveis provincial e distrital não pode envolver somente o partido Frelimo e a Renamo, mas sim incluir outras forças políticas e a sociedade civil.
Sublinhou que os componentes do grupo, e quiçá muitos membros da Renamo, querem se recensear, votar e serem votados nas próximas eleições autárquicas, apelando a cúpula do maior partido da oposição no país para que abandone a intenção de impedir a realização de eleições e coarctar a liberdade dos cidadãos de participar no sufrágio para a escolha dos seus dirigentes e representantes.

“Nós queremos nos recensear, votar e sermos votados. Há deputados da Renamo que nós sabemos muito bem que querem renovar os seus mandatos. Há pessoas na Renamo que querem chegar ao poder, mas outras há que não o querem. Nós não queremos guerra no país. É por isso que queremos participar nas eleições. A Renamo alega que a fraude é preparada na CNE, mas isso não é verdade. O que ela quer é acomodar as suas pessoas no órgão. Já trabalhámos nas mesas das assembleias de voto e sabemos muito bem o que lá acontece. A culpa é da própria Renamo”, disse.
Tomás Félix clarificou que apesar de o grupo abandonar a Renamo, os seus componentes continuarão a fazer política na esperança duma democracia mais justa no país. Neste momento, o grupo está a reflectir sobre o seu destino, sendo natural que em tempo útil abraçará um projecto político que visa trazer mudanças.
Disse que enquanto Afonso Dhlakama continuar presidente da Renamo, a Frelimo sempre manter-se-á no poder. “Dhlakama é uma boa pessoa. Ele não quer guerra, mas a maioria na Renamo quer guerra. Conheço os casmurros dos meus colegas na Renamo. Conheço as ideias do presidente Dhlakama. Na Renamo há supostos quadros seniores que nada fazem e nem deixam fazer”, afirmou, apelando a todos os cidadãos para que chegado o momento do recenseamento eleitoral afluam aos postos de modo a poderem votar nas próximas eleições.
Ainda ontem, segundo Tomás Félix, uma carta dando conta da decisão de abandono deverá ter dado entrada na sede da delegação política da Renamo na cidade de Maputo.
Jornal Noticias
















