Segundo a perspectiva apresentada, recentemente, por Dave Rennie, Presidente do Conselho de Administração da Companhia de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), o alcance daquela objectivo passa pelo fortalecimento das parcerias entre os utilizadores do porto, nomeadamente um maior envolvimento dos operadores ferroviários da região, particularmente os de Moçambique, da África do Sul e da Suazilândia.

Intervindo numa conferência internacional sobre o Porto, realizada em Maputo, Rennie referiu-se aos progressos que vêm sendo alcançados em resultado da implementação do plano-director, do que se destaca a expansão de vários terminais de carga, a exemplo dos Terminal de Carvão e de Viaturas.

Ligado à perspectiva de crescimento e importância estratégica do Porto de Maputo, o Primeiro-ministro, presente na conferência, chamou à atenção para a necessidade de se trabalhar com os países vizinhos utilizadores do Porto, com vista a conceber-se uma plataforma tecnico-legal com a qual todos se identifiquem, e que seja capaz de assegurar maior fluidez nas transacções e, consequentemente, na circulação de mercadorias de e para todo o espaço regional.

Augusto Vaquina disse ser refrescante o crescente envolvimento do sector privado nacional nos negócios do Porto, através da sua participação em concursos para adjudicação de empreitadas.

Manuseamento de carga: Porto de Maputo caminha para 50 milhões de toneladas

Segundo dados divulgados na ocasião, só no ano passado, o Porto de Maputo criou oportunidades de negócio orçadas em cerca de 266 milhões de dólares norte-americanos, uma “injecção” que permitiu o surgimento de várias empresas de pequena e média dimensão, que agora são parte activa na dinâmica do Porto.

Enquanto isso, o Governo acaba de adjudicar as obras de construção do porto de águas profundas de Techobanine, no distrito de Matutuíne, na província de Maputo. Não foi revelada a identidade do empreiteiro seleccionado em concurso público, mas a nossa reportagem soube que as obras deverão arrancar brevemente, a tempo de serem concluídas em 2015.

Orçado em mais de sete biliões de dólares a serem desembolsados pelos governos de Moçambique e do Botswana, o empreendimento vai ocupar uma área estimada em 30 mil hectares, onze mil dos quais destinados ao desenvolvimento industrial.

O projecto do Complexo Portuário de Techobanine prevê a construção, de raiz, de um porto de águas profundas para complementar o Porto de Maputo, bem como a construção de uma linha-férrea ligando o empreendimento ao Botswana, via Chicualacuala, e Zimbabwe, além de um complexo industrial.

O novo porto terá capacidade para manusear 100 milhões de toneladas de carga por ano, podendo constituir uma importante reserva estratégica regional de combustíveis e uma infra-estrutura ideal para exportação de minerais diversos de países como Botswana, África do Sul e Zimbabwe.

Para que o projecto se torne viável, o mesmo deverá manusear no mínimo 43 milhões de toneladas de carga por ano e já foram identificadas ao longo do percurso da linha-férrea.

 

Jornal Noticias