Sociedade Meio Ambiente Ensaia-se novo modelo de gestão de lixo

Ensaia-se novo modelo de gestão de lixo

O projecto consiste no acondicionamento separado do lixo que cada família produz, num processo em que o material reciclável como plástico, papel, garrafa, lata entre outros é separado do lixo orgânico para a sua posterior utilização.

O lixo reciclável é recolhido porta a porta todas as segundas-feiras pelos catadores da cooperativa, enquanto a gestão do orgânico continua sob responsabilidade do Conselho Municipal da cidade de Maputo.

Segundo Ludite Sara, técnica de planificação na Direcção Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos e Salubridade da cidade de Maputo, a recolha selectiva, em implementação há três meses, mostra que é possível reduzir a quantidade de lixo que vai ao aterro, através da separação dos resíduos sólidos – inorgânicos e orgânicos. Neste processo, só vai à lixeira o que não é reciclável e nem aproveitável para outros fins.

“Este projecto traz ganhos na consciencialização sobre uma abordagem diferente da gestão do lixo porque implica a responsabilidade do munícipe na gestão individual dos resíduos produzidos”, acrescentou Sara.

Para José Maria C. Langa, coordenador da COMSOL para a área de catadores, todo o munícipe tem que ser responsável pelo lixo que produz e colaborar na sua separação e entrega catadores.

Ensaia-se novo modelo de gestão de lixo

Langa sublinhou que a recolha selectiva tem benefícios ambientais, pois reduz a quantidade de detritos que vai à lixeira do Hulene que neste momento está numa fase de saturação.

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O material recolhido como plástico, papelão, garrafas e latas é posteriormente vendido às fábricas de reciclagem existente na cidade de Maputo.

Entretanto, um dos grandes constrangimentos enfrentados pelos catadores é a existência de poucas fábricas de reciclagem e o baixo preço estipulado pelo comprador, lesando deste modo os catadores.

Neste contexto, a representante da Associação Internacional de Voluntários Leigos em Moçambique (LVIA), Katia Ferrari, é de opinião que o país, particularmente a capital, precisa de mais fábricas de reciclagem, pois contrariamente este tipo de iniciativas pode ficar comprometido. “É preciso termos fábricas de reciclagem de forma a tornar o lixo aproveitável, reduzindo deste modo o impacto ambiental e a quantidade de resíduos sólidos que vai ao depósito final ou lixeira por não mais ser reutilizável”, afirmou Ferrari.

O projecto conta neste momento com 10 catadores para a recolha de lixo, cinco activistas para a sensibilização dos residentes de forma a colaborarem para o sucesso da iniciativa e um fiscal do Conselho Municipal da Cidade de Maputo que acompanha o processo.

Se a resposta for positiva, o projecto será alargado para outros bairros da cidade.

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