A acção, que está a ser dirigida pela administração daquela empresa vocacionada para a moagem de cereais, visa apurar a veracidade de tais denúncias efectuadas por funcionárias, as circunstâncias e o período em que terão ocorrido os casos de assédio sexual, para se instaurar um eventual processo disciplinar contra os autores.
Pretende-se também com a investigação esclarecer o modo como os factos narrados nas denúncias, feitas em cartas anónimas, foram cometidos, tal como indica uma nota da Africom, Lda enviada à nossa Redacção. O inquérito levará 15 dias.
O documento refere que o inquérito será efectuado pela Couto Graça e Associados (CGA), uma firma independente de advogados a quem foi conferido mandato para inquirir todos os trabalhadores e os membros da direcção da empresa que julgarem convenientes para ajudar a apurar a verdade.
A abertura do inquérito foi comunicada aos trabalhadores e aos membros da direcção da Africom, Lda, tendo sido igualmente explicado que o processo não era de carácter obrigatório e serviria apenas para ajudar a apurar a veracidade ou não das denúncias.
A averiguação destas denúncias ocorre depois da publicação, pelo nosso Jornal, de dois artigos que davam conta de que trabalhadoras daquela empresa eram vítimas de maus-tratos, com destaque para ocorrência de casos de assédio sexual protagonizados por alguns membros da direcção.
Em duas cartas anónimas enviadas à nossa Redacção, as trabalhadoras da Africom, Lda, na capital do país, acusam, entre outros gestores, o director dos Recursos Humanos da empresa, de nome Sumit Sanyal, de criar um mau ambiente de trabalho, com ameaças de despedimento caso as visadas não aceitem envolver-se sexualmente com ele.
Este funcionário sénior da Africom, Lda é igualmente acusado de promover situações de desprezo, racismo e pressão psicológica aos trabalhadores, uma situação que os denunciantes dizem concorrer para o seu mau desempenho.
Segundo a carta anónima, os assédios alargam-se às candidatas a determinadas vagas que chegam a receber propostas para acompanhar Sumit Sanyal a clubes nocturnos por ele frequentados como uma das condições para o conseguirem.
Este assunto é igualmente do conhecimento da Inspecção-geral do Trabalho que, segundo apurámos, nos próximos dias vai efectuar trabalhos com os funcionários, a direcção e o sindicato local com vista a esclarecer este caso.
Esta é a terceira queixa que o nosso Jornal recebe, no intervalo de um ano, sobre assédio sexual de colaboradores do sexo feminino na Africom, Lda por parte dos gestores da empresa. O grupo de trabalhadores que escreveu a primeira carta incluía homens cujas esposas trabalhavam naquela companhia. A segunda não fazia referência a nomes e a última aponta até pessoas que abandonaram a empresa devido a estes problemas.















