As quantidades a serem colocadas no mercado, de acordo com dados apurados pela nossa Reportagem, vão resultar de duas campanhas de pesca a serem efectuadas durante aquele período nos tanques piscícolas da empresa. A primeira teve lugar há dias no bairro Inhagome, arredores da cidade de Quelimane, tendo sido testemunhada pelo Vice-Ministro das Pescas, Gabriel Muthisse, que em 2011 também assistiu ao lançamento da iniciativa.

Para a implementação do projecto, o grupo de jovens finalistas recebeu um financiamento de 10 milhões de meticais para produzir camarão de forma a aumentar o volume de pesca daquele crustáceo. No entanto, devido ao aparecimento da mancha branca hostil à sobrevivência do camarão no oceano o empreendimento mudou o seu objecto social para a produção do peixe tilápia, localmente conhecido por pende.

Assim, os jovens passarão a produzir peixe tilápia, muito consumido nas regiões centro e norte do país, o que pressupõe haver já mercado garantido para a sua comercialização.

O capital social da empresa foi reforçado em mais dez milhões de meticais, passando a ser vinte milhões, investimento que servirá para a abertura de novos tanques, passando dos actuais quatro para dez, de forma gradual. Actualmente a produção garantida pelos quatro tanques é de quatro toneladas de peixe tilápia, mas este volume irá crescer ao longo do ano para doze toneladas.

Zambezia – Jovens empreendedores olocam 12 toneladas de peixe no mercado nacional

Sonho Transformado em Realidade

Entretanto, apesar dos jovens estarem empolgados em atingir níveis bem altos de produção pesqueira há dificuldades de encontrar ração para os alvinos se alimentarem. O director-executivo da empresa AQUAQUEL, Miguel Chembe, disse ao vice-ministro das Pescas, que testemunhou a primeira despesca, que o período de crescimento dos alvinos quando bem alimentados é de quatro meses. Referiu que caso a ração estivesse garantida haveria possibilidade de se atingirem as 12 toneladas de que se poderiam obter lucros avaliados em mais de 100 milhões de meticais.

O Vice-Ministro das Pescas, Gabriel Muthisse, disse que quando o projecto foi lançado, há dois anos, era um sonho e agora tornou se realidade mercê do trabalho abnegado, capacidade de imaginação e criatividade dos jovens finalistas do curso de Ciências Marinhas.

“Este projecto tem efeitos multiplicadores porque, para além de criar peixe para melhorar a dieta alimentar dos moçambicanos, criou 20 postos de emprego para a população local e os seus proponentes vão ganhar maior visibilidade como jovens empreendedores. Como Governo, ao implantarmos a UEM aqui visamos buscar soluções locais para o desafio de combate à pobreza e aqui está um sinal visível”, disse o vice-ministro, que apelou àqueles jovens para apostarem na criação de cooperativas com outros produtores da cidade de Quelimane.

Este é o segundo projecto de criação de peixe na capital provincial da Zambézia. Um projecto idêntico está a ser desenvolvido pelos jovens do bairro Nhanhobua, na cidade de Quelimane.

Caso se concretizem as iniciativas dos jovens e de outros produtores Quelimane poderá contar até ao final deste ano com catorze tanques de piscicultura. As pescas oficiais estão a baixar devido à pressão aos recursos, por isso a piscicultura poderá ser uma das alternativas para prover de proteínas marinhas a população.

Entretanto, dados em nosso poder indicam que a província da Zambézia prevê abrir até ao final deste ano mais de mil tanques em todos os distritos. Em breve conversa com a nossa Reportagem o director provincial das Pescas da Zambézia, Arcélio Madede, disse que o Executivo está a prestar assistência técnica aos produtores, nomeadamente em relação à profundidade, largura e condições ambientais para o bom desenvolvimento dos alvinos.

O nosso entrevistado reconheceu que o grande desafio é encontrar um provedor da ração na província da Zambézia, porque a ração que está a ser dada é para a reprodução do camarão e não propriamente para multiplicar peixe.