Falando perante estudantes moçambicanos na Austrália, no âmbito da visita de Estado que está a efectuar àquele país, Armando Guebuza deu exemplos do impetuoso movimento nacional de construção de estradas, pontes, hospitais, distribuição da água potável, acesso ao telefone e a expansão da rede de fornecimento de energia eléctrica a todo o território nacional.

Sobre a energia informou que ela chegou hoje a quase todos os distritos da rede nacional, algo que não havia há cerca de cinco ou oito anos atrás. Ligado à energia eléctrica, Guebuza deu a conhecer que a média de consumo anual crescia a 15 por cento.

“Como podem calcular, esta média é invejável e problemática ao mesmo tempo, porque implica muito esforço de manutenção e de investimento para além dos grandes desafios que se impõem na sua própria produção”, frisou.

Numa alocução direccionada especialmente aos bolseiros moçambicanos a fazerem cursos superiores na Austrália, o Presidente da República disse que pouco ou nada deste esforço se poderia manter se tivéssemos o capital humano suficientemente preparado.

“É assim que hoje podemos mandar gente para fazer mestrado na Austrália. E quem faz mestrado significa que passou por outros ciclos de ensino nas condições de Moçambique. Tudo isto em menos de 40 anos da independência, não é pouco”, disse Guebuza, recordando que por alturas da independência em 1975 o país só tinha uma universidade e hoje conta com mais de 40.

Na ocasião, o Chefe do Estado moçambicano reafirmou que a robustez e o crescimento económico de 7. 5 por cento que Moçambique regista ao ano é obra dos moçambicanos.

Na mesma oportunidade e dissipando equívocos, deixou claro que este crescimento já vinha se verificando antes da era do carvão, numa mensagem dirigida implicitamente às vozes que hoje se levantam dizendo que o crescimento de um país não pode ser avaliado com o negócio dos recursos minerais.

PR aos estudantes moçambicanos na Austrália: Ritmo de infra-estruturas é bastante encorajador

Guebuza atribuiu este crescimento à contribuição prestada por diferentes sectores de actividade, como são os casos da agricultura, indústria, serviços, aquacultura, entre outros.

Falando para a comunidade moçambicana residente na capital australiana, o Chefe do Estado observou que muito poucos países do mundo lograram atingir tal feito, o que é publicamente reconhecido pela comunidade internacional.

“Nos finais da guerra de desestabilização, nós tínhamos um rendimento per capita de cerca de 80 dólares por cada moçambicano e hoje estamos a progredir para os 600 dólares”, disse o Presidente, reconhecendo, todavia, que ainda é pouco, mas que simultaneamente constituía motivo de orgulho, porque é aquilo que os moçambicanos conseguiram fazer.

Num discurso marcadamente virado para o reconhecimento do cometimento dos seus compatriotas com o trabalho, o Presidente disse que estes resultados tinham sido possíveis, primeiro, graças ao envolvimento do povo que o classificou de muito trabalhador, dedicado, amigo de si próprio e com amor e auto-estima.

O estadista apontou o ambiente de paz que se vive no país e a contribuição de uma sociedade civil muito forte, proactiva e participativa nas iniciativas de desenvolvimento, bem como as forças políticas que fazem o que podem neste processo.