“Por exemplo, hoje podemos nos esquecer de que o carvão já estava lá desde os tempos dos nossos antepassados. Que os nossos avós já pisavam-no. Portanto, se foram descobertos agora é porque criaram-se condições para serem descobertos. Mas mesmo assim o carvão não vai sair de lá sozinho. É preciso criarem-se condições para que saia de lá e possa se tornar numa riqueza”, disse.

Recuando no tempo sobre a história do carvão, o Presidente afirmou que Moçambique assinou o memorando de entendimento para a sua exploração em 2004. Ajuntou que depois disso foi necessário um trabalho de muita, mas muita, pesquisa. Depois disso o primeiro vagão que saiu com o carvão só se registou em 2011.

“Portanto, saiu praticamente cinco anos depois. Esta é que é a realidade da vida”, observou.

Dissertando em seguida sobre a descoberta do gás natural, Guebuza disse que, à semelhança do carvão, também sempre esteve lá, só que com a diferença de que ele se localiza debaixo das águas profundas do mar.

Tal como o carvão, vai ser preciso saber esperar pelo tempo para extrair o gás. Nesta perspectiva, o Presidente da República deu a conhecer que os investimentos que estão a ser feitos na ordem de centenas de milhões de dólares apontam que só em 2018 será possível extrair o recurso para a terra.

PR adeverte aos moçambicanos: Descoberta de recursos não nos deve baralhar AUTRALIA1163

“Portanto, esta é a experiência que eu queria partilhar convosco e alertar-vos para que trabalhemos enquanto esperamos para que os resultados dos investimentos apareçam”, reafirmou.

Entretanto, num acto que marcou o fim da sua visita de Estado de cinco dias à Austrália, o Presidente da República e comitiva foram recebidos ontem, em Camberra, a capital política australiana, pela Governadora-Geral, Quentin Bryce. Tratou-se de uma cerimónia na qual as duas partes passaram em revista o actual estágio das relações de cooperação entre as duas partes.

Momentos depois, em declarações a jornalistas nacionais, o Presidente mostrou-se entusiasmado com o sentimento de amizade “muito forte” manifestado pelos australianos. Disse esperar ainda muito mais deste país no que toca ao investimento, remetendo, porém, os resultados disso aos empresários.

Na sua qualidade de Presidente em exercício da SADC, Guebuza serviu-se desta oportunidade para explicar aos australianos sobre os actuais desenvolvimentos da situação política na região, particularmente no que toca ao Zimbabwe. Referiu que ficaram mais claros na compreensão dos problemas não só da África Austral como também da União Africana.