Sociedade Quelimane, Mocuba e Nicoadala: Levantar dinheiro é um sofrimento

Quelimane, Mocuba e Nicoadala: Levantar dinheiro é um sofrimento

Levantar dinheiro para fazer as compras para a festa do Natal que hoje se comemora transformou em sofrimento a vida de milhares de pessoas, ontem nas cidades de Quelimane, Mocuba e na vila-sede distrital de Nicoadala, na província da Zambézia. A nossa Reportagem fez ontem uma digressão de quatro horas, nos locais atrás indicados e constatou longas filas de pessoas nas Caixas de Pagamento Automático (ATM) dos bancos comerciais.
Quelimane, Mocuba e Nicoadala: Levantar dinheiro é um sofrimento

As pessoas por nós entrevistadas afirmaram que pretendiam fazer as últimas compras e outras justificaram o atraso de preparação das festas com a demora nas remunerações e, outras ainda tiveram que percorrer longas distâncias até chegar as praças onde as suas contas estão domiciliadas. Na cidade de Mocuba, por exemplo, as caixas de pagamento automático do BIM deixaram de pagar domingo por volta das dez horas e as pessoas que saíam dos distritos de Ile, Lugela, Namacurra, Maganja da Costa e Pebane ficaram à espera até pela noite adentro mas mesmo assim não conseguiram levantar o seu dinheiro.

Benjamim Gemuce é funcionário do Estado, no distrito de Pebane. Na altura em que lhe encontramos, já estava a dois dias a procura de uma oportunidade para levantar dinheiro e regressar imediatamente à procedência, mas a sorte não lhe bateu a porta. “ A minha permanência aqui tem custos e não tenho onde passar a noite porque eu queria levantar o dinheiro, fazer compras e regressar, sem demora”, disse o nosso entrevistado.

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Na vila-sede de Nicoadala, as duas caixas de pagamento em funcionamento também estavam abarrotadas de gente vinda de Mopeia e Morrumbala. Todos queriam levantar dinheiro para a festa do Natal. Na cidade de Quelimane, apesar de alternativas a outros bancos, a situação era a mesma, ou seja, enchentes que desencorajavam a qualquer que acabava de chegar ao banco.

A distribuição irregular da banca é uma das razões que está por detrás. Para além disso, as pessoas que conversaram com a nossa Reportagem afirmaram que o Estado deve, nos próximos anos, pagar os salários o mais cedo possível para evitar esse tipo de constrangimentos.

Apesar da disponibilidade de produtos alimentares e bebidas, os estabelecimentos comerciais continuam a registar grandes enchentes. Rosalina Pereira é munícipe da cidade de Quelimane que diz que se encontrava na bicha há quatro horas para as últimas compras. “Cheguei muito cedo para as últimas compras; gostaria de voltar a casa porque tenho preparativos do baptismo da minha filha e penso que vou desistir”, disse.

Entretanto, quinhentas crianças vulneráveis e órfãs tiveram sábado passado um almoço reforçado, oferecido pelo gabinete da esposa do governador da Zambézia. Joaquim Veríssimo apelou a vários segmentos da sociedade civil para prestarem o seu apoio incondicional para que as crianças cresçam com harmonia.

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