Governo incentiva consumo e venda de gado para compensar fome no centro de Moçambique

Responsáveis da agricultura em Tete, centro de Moçambique, estão a incentivar a população a consumir e vender gado para suprir o défice de cereais onde há bolsas de fome, disse ontem à Lusa fonte oficial.

Américo Conceição, director provincial da Agricultura de Tete, disse que as condições ecológicas e climatéricas favorecem a produção pecuária nos distritos a sul de Tete, pelo que se incentiva a venda do gado para preencher a fraca produção de cereais em Changara, Mutarara e Cahora Bassa.

“O sul (da província de Tete) tem potencial pecuário, e estamos a incentivar as pessoas a venderem o gado (bovino e caprino) para a compra de cereais que são trazidos por comerciantes das zonas com excedentes”, disse à Lusa Américo Conceição, sem indicar o número de pessoas em crise.

Para facilitar a venda do gado, o sector da agricultura em Tete potenciou a abertura, ano passado, de duas feiras pecuárias, em Marara e Mágoè, onde os criadores expõem os produtos para uma venda mais equilibrada e justa.

Entretanto, persiste o mito entre a população de não vender e consumir a carne do gado, cujo consumo é popularmente associado a problemas sexuais.

Através do Fundo de Desenvolvimento Distrital alocado pelo Governo, as autoridades estão a financiar a comercialização agrícola, para que os “comerciantes importem cereais de zonas com excedentes” agrícolas. Também estão a promover culturas alternativas e resistentes à seca nas zonas afectadas.