Início Sociedade Fórum Nacional de Rádios Comunitárias vai processar Edil de Manica

Fórum Nacional de Rádios Comunitárias vai processar Edil de Manica

Depois de o edil do município de Manica ter ordenado seus agentes para encerrarem à força a rádio comunitária de Macequece, sem justificação formal, a estação radiofónica voltou a difundir, “mas o ambiente continua tenso”, segundo garantiu ao Canalmoz a directora executiva do Fórum Nacional de Rádios Comunitárias (FORCOM), entidade que financia aquela e outras estações de rádios comunitárias.
Fórum Nacional de Rádios Comunitárias vai processar Edil de Manica
Ainda de acordo com Benilde Nhalizilo, o FORCOM vai levar o caso ao tribunal por entender que existe suficiente matéria de fórum criminal.

A Rádio Macequece, por sinal propriedade da Associação Comunitária Macequece de Manica – ACOMAM e membro do FORCOM, foi encerrada no princípio da tarde do dia 12 de Outubro por ordens do presidente do Município de Manica, Moguem Candieiro, que usou a força da Polícia Municipal e da Polícia de Protecção.

Um comunicado do FORCOM refere que quando questionados pelos funcionários da rádio sobre as razões do encerramento daquela estação emissora comunitária, os agentes a soldo do edil de Manica teriam respondido que “A Frelimo é que faz, a Frelimo é que fez”, um slogan do partido que tem estado no poder desde a independência nacional.

Na sequência o FORCOM enviou uma equipa constituída pelo presidente da agremiação, João dos Santos Jerónimo, pelo oficial de comunicação e advocacia, Naldo Chivite, e pelo Coordenador e Jornalista da Rádio Comunitária de Catandica em Báruè, John Chekwa, a fim de averiguar a situação, tendo estes constatados no local a presença das forças Policiais do Município e de Protecção, que por ordens do seu presidente do município mandaram desligar o emissor e encerraram a Rádio, impedindo, também a entrada de pessoas, incluindo dos jornalistas da própria rádio.

“A Frelimo é que Fez, a Frelimo é que Faz” foram as palavras proferidas por um dos mandatários do Presidente do Município Manuel Tomo, Líder Comunitário do Bairro 4◦ Congresso, na altura em que se procedia o fecho da Rádio numa clara demonstração de Abuso do Poder”, refere o comunicado.

Segundo a nota do FORCOM, a agremiação tentou, sem sucesso, contactar o Secretário Distrital do Partido FRELIMO, David Franklim, para confirmar se estas palavras proferidas pelo Sr. Manuel Tomo traduzem o sentimento e a posição do Partido ou se se restringem apenas a sua pessoa.

A administradora do distrito, Filomena Meigos Manhiça, segundo o comunicado, disse ao FORCOM que ainda não sabia do assunto, por isso não podia fazer pronunciamentos. Já o comandante distrital da Polícia de Protecção de Moçambique, Anito Machava, disse que recebera ordens do presidente do município para enviar a sua força pois havia uma manifestação naquele local.

O comunicado recorda que há dois meses atrás quatro jornalistas da Rádio Comunitária foram detidos em situações até aqui não esclarecida e um dia antes havia sido convocada uma assembleia-geral pelo ex-presidente da mesa da assembleia, Simão Tomás Soares (segundo informações fidedignas, é uma pessoa próxima e amiga do presidente do município e da antiga coordenadora da rádio afastada por actos de corrupção e má governação). No entanto, nenhum membro da associação proprietária da rádio e nenhum voluntário da Rádio se fizera presente, uma vez que o Sr. Soares não tem mais a legitimidade de convocar uma assembleia.

Canal Moz

Artigo anteriorVaquina participa no fórum sobre governação no Botswana no
Próximo artigoEdifício da UP escapa a incêndio em Nampula