A Rede Moçambicana de Organizações contra a SIDA (Monaso), uma Organização Não-Governamental (ONG) de  coordenação das acções da sociedade civil de luta contra o HIV/SIDA, no país, está a passar por uma das suas piores crises de sempre, decorrente de problemas de gestão interna da organização.
Por causa dessa crise, os trabalhadores estão há oito meses sem salários e, neste momento, não existe nenhuma perspectiva de quando poderão ver os seus ordenados nas suas contas.

A crise de gestão começou nos meados do ano passado, quando a actual direcção, através do seu presidente do Conselho de Direcção, Ricardo Trindade, decidiu, unilateralmente, comprar um imóvel que serviria de escritórios da organização, em Maputo, por 350 mil dólares. Esta decisão viola os estatutos da organização, segundo os quais “compete à Assembleia-Geral deliberar sobre a aquisição e alienação de bens imóveis e móveis sujeitos ao registo da organização”.

Portanto, o presidente do Conselho de Direcção devia ter convocado uma sessão de Assembleia-Geral para deliberar sobre o negócio do imóvel em causa, facto que, de acordo com os membros da organização, não aconteceu.
Para a aquisição de tal imóvel, sito na rua Tomás Ribeiro, na Coop, a Monaso recorreu a um empréstimo bancário, tendo-se comprometido a reembolsar os 350 mil dólares num prazo de seis anos, pagando 300 mil meticais por mês.

Quando os doadores se aperceberam da situação, decidiram cortar o financiamento à organização. Numa carta, datada de 2 de Agosto do presente ano, a Oxfam Novib, um dos principais doadores da Monaso, escreveu que “lamenta ter tomado a decisão de terminar a sua parceria e financiamento com a Monaso”, e justificou que “o único motivo desta decisão difícil foi a aquisição pela Monaso de um imóvel, no início de 2011, para servir de um escritório com base num empréstimo bancário de seis anos, sem consultar os doadores do Fundo Comum, embora o contrato com o banco esteja especificamente ligado à conta deste Fundo para a liquidação da dívida. Do outro lado, esta aquisição não consta dos planos e orçamentos aprovados para os recursos do Fundo Comum”, lê-se na carta da Oxfam Novib, enviada para Monaso.

Perante este cenário e com a Monaso descapitalizada, os outros membros da organização pediram a realização duma Assembleia-Geral extraordinária para se discutir os problemas institucionais, mas dizem que o pedido foi inviabilizado pelo presidente do Conselho de Gestão, Ricardo Trindade, alegando problemas financeiros.
Assim, intentou-se uma acção judiciária junto ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, contra a figura de Trindade, tendo o tribunal emitido uma providência cautelar, no qual intimava Ricardo Trindade a abster-se de alienar o imóvel em causa, sita na Rua Tomás Ribeiro, na zona da coop, e demais bens da organização.

Para além disso, o tribunal proibiu Trindade de assinar letras, livranças, cheques de contas da Monaso, até decisão em contrária da Assembleia-Geral e foi proibido ainda de inviabilizar a realização da Assembleia-Geral extraordinária. O judiciário também decidiu que fossem congeladas todas as contas bancárias da instituição, até que a Assembleia-Geral decidisse o contrário. Entretanto, mesmo perante esta crise evidente, os membros da Monaso ainda acreditam no futuro da instituição, mas dizem que, para tal, a única solução é a realização da Assembleia-Geral extraordinária, onde será eleita a nova direcção que terá a dura missão de resgatar a honra e dignidade que a organização está a perder a cada dia que passa.