Não é só o “caso INAS” que não avançava a nível da procuradoria provincial da Zambézia, pois há muitos outros casos que, estando nas mãos de magistrados do ministério público daquele órgão de justiça, não eram instruídos.
No período 2010-2012, foram tramitados 17 processos de desvio de fundos, envolvendo funcionários públicos, com destaque para três administradores distritais. Igualmente, foram tramitados oito casos de corrupção, crime praticado pelos agentes e funcionários do estado.
Dos processos que, há sensivelmente dois anos, não avançavam, destacam-se os casos de desvio de fundos, envolvendo quadros do governo distrital de Alto-Molócuè, designadamente, o antigo administrador de Alto-Mólocuè, Joaquim Pahare; Pedro Montxessa, secretário perante; Saronque pequenino, chefe da Secretaria; e Elisabete Malidane, contabilista.
O crime de desvio de fundos por eles praticado ocorreu durante o exercício económico fiscal do ano 2006. O processo teve como base um acórdão do tribunal administrativo, onde os arguidos foram condenados ao pagamento de multa e reposição dos valores desviados dos cofres do Estado, num montante a que não tivemos acesso.

Contudo, chegado À procuradoria provincial da Zambézia, o processo ficou estagnado sem, no entanto, informação plausível sobre o assunto. Por aquilo que apurámos na altura, o magistrado responsável pelo processo não estava interessado em dar andamento ao caso. Essa atitude do magistrado fere o artigo 337 do código do processo penal, segundo o qual “os prazos de instrução preparatória são de três meses em processo querela”. À luz deste artigo, a procuradoria não cumpriu com o que vê instituído na lei.
No entanto, o nosso jornal, que tem estado atentamente a acompanhar o desenvolvimento deste e outros casos malparados, denunciou a morosidade e o espírito de deixar-andar que se vive no seio do ministério Público a nível da província da Zambézia. Por aquilo que apurámos, com ordens da procuradoria-geral na instrução dos processos, o processo número 276/2010 do caso de desvio de fundos no distrito de Alto-Mólocuè registou avanços.