O Governo decidiu ceder parcialmente à exigência da Comunidade Islâmica em Moçambique, permitindo que, pelo menos no mês de Ramadão – considerado sagrado para esta religião – as mulheres pudessem frequentar as escolas trajadas de véu (burka) na cabeça.
Mas os muçulmanos dizem que querem mais. Querem a permissão do uso de véu todo o tempo, permanentemente, sem restrições.

Ontem, o Conselho Islâmico de Moçambique, através da Comissão dos Álimos de Nampula, convocou uma conferência de Imprensa na cidade de Nampula para revelar o seu desagrado com a circular nº. 06/GM/MINED/2012 que autoriza o uso de lenço nas instituições de ensino público e particular, mas somente no mês de Ramadão.

De acordo com o Sheik Abdulatifo Mussagy, porta-voz da Comissão dos Álimos de Nampula, a circular assinada pelo ministro da Educação, Zeferino Martins, a qual revoga a circular 1387/2012, de 31 de Julho, `atenta contra a religião muçulmana´ no país.

O Sheik Mussagy disse à Imprensa que `volvidos 50 anos do partido Frelimo e 37 da independência, esperava-se um Moçambique melhor, de paz, tolerância e respeito mútuo, onde a prioridade de agenda fosse a harmonia social em todas as regiões do país´.

`A Comunidade Muçulmana faz e fará parte do povo moçambicano até ao dia em que se publicar o contrário. Ela contribui desde a fase pré-colonial, colonial e pós-colonial até aos nossos dias, de grande forma para os diferentes aspectos de agenda do desenvolvimento deste país sem necessidade de se especificar. Todavia, não faz sentido somente ser utilizado e excluído´, disse o Sheik…