Irrequieta, Bruna Manai, de 5 anos, insiste em puxar a mão da mãe para as suas costas, depois de ter sido diagnosticada com tuberculose, e logo a seguir distrai-se com o televisor na ala pediátrica do hospital em Manica, onde está internada.

“Muitas vezes ela sente algumas fisgadas nas costas e passa muito mal. Sempre pede para amassar as suas costas, se calhar para aliviar as dores”, diz a mãe, Silvina Nhararai, que acompanha o internamento da menor, citada pela “Lusa”.

Bruna pertence ao grupo de 111 crianças diagnosticadas com tuberculose pediátrica nos primeiros seis meses de 2012 em Manica, centro de Moçambique, uma doença milenar, mas quase esquecida nos hospitais, devido à complexa detecção. Entre janeiro e junho de 2011, 56 crianças foram diagnosticados com “bacilo de Koch”.

Nas crianças o diagnóstico da TB não é feito através da expetoração, por estarem desprovidas de força para libertar escarros para análise laboratorial.

Os sintomas, febre persistente com suores e calafrios nocturnos, perda de apetite, fraqueza, prostração e tosse, variam, chegando, por vezes, confundir a TB com pneumonia, o que atrasa o diagnóstico.

“A TB pediátrica é pouco delicada, porque o diagnóstico, primeiro, precisa de pessoas muito experientes na área da pediatria, pois é feito por Raio X ou usando a inoculação de uma substância na veia da criança, que quando está infectada provoca uma reacção”, explicou à “Lusa” Juvenaldo Amos, director provincial de Saúde de Manica.

Ainda há distritos de Manica que não chegam a diagnosticar um único caso da doença, remediada com um esquema de antibióticos que devem ser tomados rigorosamente por um semestre. Os medicamentos são  distribuídos gratuitamente pelo governo.

Os antibióticos existentes para TB pediátrica são difíceis de determinar, administrar e armazenar. Alguns comprimidos devem ser partidos segundo o peso da criança e os xaropes são desagradáveis. As doses devem ser ajustadas de quando em quando, de acordo com o peso da criança.