A maioria dos dadores voluntários de sangue em Nampula está infectada com doenças transmitidas sexualmente, o que agrava a escassez daquele líquido vital naquela província do Norte de Moçambique.

Daniel Vieira, substituto do chefe do Banco de Sangue no hospital de Nampula, o maior do Norte do país, definiu como “muito crítica” a falta de sangue naquela unidade hospitalar.

Actualmente, o Hospital Central de Nampula, considerado de referência para os doentes das províncias de Nampula, Cabo Delgado, Niassa e Zambézia, dispõe de menos de 100 unidades de sangue, quando as suas necessidades reais são de 800 unidades.

A situação agravou-se com a infecção de centenas de dadores voluntários, por doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e HIV/SIDA, o que os impede de contribuírem com sangue.

“O número de dadores de sangue está a reduzir substancialmente, porque muitos dos nossos membros estão no grupo de risco”, disse Zacarias Juriasse, presidente da Associação dos Voluntários de Doação de Sangue (AVODASA).

Juriasse acrescentou que a AVODASA conta presentemente com apenas 146 voluntários de doação de sangue em toda a província de Nampula (que conta com 21 distritos), contra os mil que existiam em 2004.

A administração provincial de saúde avançou, entretanto, com uma operação de recolha de sangue nos sectores público e privado, tendo, Segunda-feira (16), recebido a adesão de um grupo de 93 agentes da Polícia Municipal.

“As pessoas vêem a Polícia Municipal apenas como uma força de repressão, mas queremos mostrar a nossa parte humanitária”, disse o chefe das operações da corporação, Jacinto Joaquim.