O Ministro dos Transportes e Logística de Moçambique, João Matlombe, defende que a competitividade logística do país necessita da abertura da rede ferroviária a operadores privados.
Durante uma reunião com a Confederação das Associações Económicas (CTA), realizada na sexta-feira em Maputo, o ministro afirmou que a logística não opera em monopólio e que os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) precisam de contar com empresas concorrentes.
“Consultámos amplamente e vamos abrir o acesso às linhas ferroviárias a diversas partes interessadas. O CFM passará a ser um entre vários operadores na rede ferroviária, em vez de ser o único, como parte de uma reforma estrutural destinada a potenciar e aumentar a utilização da infraestrutura ferroviária, reduzindo assim a pressão sobre o sistema de transporte rodoviário”, declarou Matlombe.
O ministro frisou que “o monopólio e a ineficiência estão a prejudicar a nossa economia e é necessário implementar uma reforma estrutural no sector. A África do Sul já se encontra muito mais avançada nesse processo, enquanto nós continuamos a ficar para trás.”
Matlombe assegurou que estão a ser realizados esforços para que o CFM se concentre exclusivamente na gestão da infraestrutura e permita a entrada do sector privado nas operações, com o intuito de melhorar a produtividade, criar mais oportunidades para negociação de preços e fornecer uma gama mais vasta de opções de transporte para a importação e exportação de mercadorias.
Por sua vez, o presidente da CTA, Álvaro Massingue, apelou ao governo para a adopção de uma Estratégia Nacional de Competitividade Logística, a fim de enfrentar os elevados custos logísticos no país, que representam uma das principais preocupações para as empresas.
“O sector privado acredita que os caminhos de ferro devem desempenhar um papel mais central no transporte de mercadorias de longa distância, contribuindo para a redução dos custos logísticos, aliviando a congestão rodoviária e aumentando a competitividade dos corredores de transporte”, afirmou Massingue.
Segundo o presidente da CTA, é imprescindível melhorar a fiabilidade operacional, rever as tarifas e fortalecer a capacidade logística. “Se conseguirmos reduzir custos, simplificar procedimentos, melhorar a conectividade, aumentar a previsibilidade dos serviços e reforçar a integração multimodal, Moçambique poderá estabelecer-se como o principal hub logístico na região da África Austral”, acrescentou.
Em março passado, o CFM anunciou perdas anuais de cerca de 4,5 milhões de dólares devido à sua política de subsidiação do transporte de passageiros nas linhas do Limpopo, Goba e Ressano Garcia, na região sul. Estas linhas também ligam Moçambique ao Zimbabwe, Eswatini e África do Sul, e os serviços de passageiros operam com prejuízos elevados.
A empresa registou perdas superiores a 40 milhões de dólares em consequência dos danos provocados pelas fortes chuvas que afetaram a rede ferroviária sul em fevereiro. As cheias atingiram as linhas ferroviárias do Limpopo, Ressano Garcia e Goba, ligando Maputo ao Zimbabwe, África do Sul e Eswatini, respetivamente.













