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África do Sul acusa Gana e Nigéria de espalharem notícias falsas sobre xenofobia


A África do Sul acusou o Gana e a Nigéria de promoverem uma campanha sistemática para isolar o país do resto do continente africano, utilizando como pretexto críticas aos ataques xenófobos contra os seus cidadãos. 

Segundo uma publicação da Carta de Moçambique, o governo sul-africano afirmou que os dois países estão a difundir notícias falsas, com o intuito de criar a impressão de que a África do Sul se tornou um Estado pária que necessita de intervenção de tribunais internacionais.

Vincent Magwenya, porta-voz do Presidente Cyril Ramaphosa, afirmou em conferência de imprensa que “mais preocupante tem sido a disseminação de informações falsas por um representante diplomático de um país que se tornou central nesta campanha”. Magwenya denunciou que até mesmo as trocas diplomáticas habituais em reuniões foram deliberadamente deturpadas para dar a entender que a África do Sul está a ser isolada.

Quando questionado se Gana divulgava informações falsas sobre a África do Sul, o porta-voz foi claro: “A resposta é sim”. Ele destacou que a África do Sul identificou uma campanha que é “impulsionada principalmente por Gana e, em menor grau, pela Nigéria”.

Magwenya referiu que Pretória já expressou as suas preocupações directamente ao Alto-Comissário de Gana, Benjamin Quashie, a respeito da propagação de notícias falsas sobre a África do Sul. “O Alto-Comissário deve esforçar-se para verificar as informações que divulga e fazê-lo através das autoridades”, frisou.

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O porta-voz também mencionou que não havia evidências de que os cidadãos ganenses tivessem sido afectados de forma desproporcional pela recente onda de protestos contra a imigração ilegal na África do Sul. “Houve um incidente envolvendo um cidadão, mas não foi um incidente fatal. Portanto, é surpreendente que continuemos a ver essa postura anti-diplomática e não construtiva por parte de alguns em Gana”, acrescentou.

Magwenya ainda observou que existem líderes políticos no Parlamento do Gana que reconhecem os desafios enfrentados pela África do Sul e que não estão satisfeitos com a atitude do Alto-Comissário e do ministro ganês das Relações Exteriores, Samuel Okudzeto Ablakwa.

Gana solicitou que a União Africana inclua a questão da xenofobia na África do Sul na agenda da cimeira da organização, marcada para Outubro no Egito, que será precedida por uma reunião dos ministros das Relações Exteriores em julho, em Adis-Abeba.

O porta-voz presidencial foi ainda questionado sobre a possibilidade de represálias por parte de países como Nigéria e Gana, uma vez que alguns líderes, especialmente parlamentares, afirmaram que os ativos de empresas sul-africanas nesses países deveriam ser nacionalizados como forma de punição.

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