Sociedade Crise de financiamento reduz orçamento por estudante na UEM em 67%

Crise de financiamento reduz orçamento por estudante na UEM em 67%


O orçamento médio disponível por estudante na Universidade Eduardo Mondlane (UEM) sofreu uma drástica redução de 67% na última década, passando de cerca de três mil dólares norte-americanos em 2014 para aproximadamente mil dólares em 2024.

Este fenómeno é resultado da diminuição progressiva do financiamento público e da deterioração da capacidade financeira da instituição ao longo destes anos.

A informação foi divulgada hoje por Ângelo Macuacua, académico da UEM, durante uma palestra, que teve lugar na Faculdade de Economia, abordando o tema “Financiamento das Instituições Públicas de Ensino Superior em Tempos de Crise”. Segundo Macuacua, a análise do financiamento revela uma queda de cerca de dois mil dólares para aproximadamente 800 dólares no financiamento estatal por estudante.

O académico enfatizou que, apesar dos progressos em áreas como a qualificação do corpo docente e o aumento da procura pelo ensino superior, a UEM enfrenta uma escassez de recursos que compromete a qualidade do ensino, a manutenção das infraestruturas e os investimentos em investigação científica.

Em termos globais, o orçamento da instituição registou uma queda significativa, passando de cerca de 110 milhões de dólares em 2014 para aproximadamente 47 milhões em 2024. As despesas financiadas pelo Orçamento do Estado tiveram alterações profundas, com a maioria dos recursos a ser consumida por salários e despesas correntes, limitando assim a possibilidade de novos investimentos.

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Macuacua alertou que esta situação restringe a capacidade da universidade em expandir a oferta académica e modernizar laboratórios e bibliotecas, em resposta ao crescimento da procura por formação superior. Para contornar as dificuldades, a UEM tem procurado alternativas de financiamento através de cursos de pós-graduação e programas de ensino à distância, tendo em vista a diversificação das fontes de receita.

Luciano Cordeiro, gestor de projectos e especialista em infraestruturas tecnológicas, defendeu que a modernização das infraestruturas físicas e digitais é fundamental para enfrentar os constrangimentos financeiros. Ele destacou que a UEM lida com o envelhecimento das infraestruturas e elevados custos de manutenção, o que não está a acompanhar a crescente procura por educação superior.

Cordeiro propôs a digitalização dos processos académicos e administrativos, o fortalecimento das bibliotecas virtuais e a modernização dos laboratórios como formas de melhorar a eficiência e otimizar os recursos disponíveis. Advogou também por sistemas inteligentes de gestão energética e parcerias público-privadas para financiar projectos de energias renováveis.

Ambos os intervenientes concordaram sobre a importância de adoptar soluções inovadoras que garantam a sustentabilidade das instituições públicas de ensino superior, especialmente num contexto marcado pela redução do financiamento estatal e pelo aumento das exigências de qualidade e acesso ao ensino superior.

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