Sociedade Ataques xenófobos na África do Sul resultam na morte de sete moçambicanos

Ataques xenófobos na África do Sul resultam na morte de sete moçambicanos


Um total de sete cidadãos moçambicanos perderam a vida em ataques xenófobos perpetrados por cidadãos sul-africanos, conforme revelam fontes oficiais.

Nos últimos meses, têm-se intensificado os protestos anti-migrantes na África do Sul, com especial foco em africanos, inclusive moçambicanos. Estes actos xenofóbicos têm sido direccionados principalmente a africanos de pele negra, resultando em discriminação, saques, deslocamentos forçados, assédios e violentos distúrbios nas comunidades informais.

Um comunicado oficial aposta a lamentar as mortes de sete moçambicanos, sendo cinco vítimas directas de ataques xenófobos e dois outros falecidos num acidente rodoviário quando retornavam a Moçambique num veículo particular.

No passado sábado, 300 moçambicanos já haviam regressado ao país por sua própria conta. Os restantes, cerca de 500, encontram-se actualmente refugiados em um local seguro na província do Cabo Ocidental, com a repatriação a ser organizada pelas autoridades.

Os repatriados serão levados às suas localidades de origem, abrangendo as províncias do sul, nomeadamente Gaza, Inhambane e Maputo, bem como a província central de Manica. Ao chegarem ao posto fronteiriço de Ressano Garcia, aqueles que estão a retornar de forma forçada recebem dois kits alimentares, um para uso imediato e outro para os primeiros dez dias de reintegração nas suas áreas de origem.

A volatilidade da situação é preocupante, com grupos anti-imigrantes a exigir a saída de determinadas nacionalidades até 30 de Junho. Perante isto, o governo moçambicano está a desenvolver medidas necessárias para mitigar a situação.

Recomendado para si:  Novas viaturas reforçam serviços de saúde na província de Tete

O Serviço Nacional de Migração de Moçambique (SENAMI) confirmou a deportação de cerca de 600 moçambicanos que foram vítimas de violência xenófoba na África do Sul. A transportadora encarregue do repatriamento partirá hoje de Cape Town, com chegada a Maputo através do posto fronteiriço de Ressano Garcia, o principal acesso entre os dois países.

Manuel Chicanhane, líder da comunidade moçambicana na província do Cabo Ocidental, em entrevista à Rádio Moçambique, lamentou as mortes de compatriotas e mencionou feridos numa série de confrontos na região de Mossel Bay. “Os sul-africanos usaram instrumentos e facões. Alguns moçambicanos foram esfaqueados e outros agredidos com pedras. Foi assim que nossos irmãos moçambicanos perderam a vida numa zona de Mossel Bay. Alguns estão hospitalizados, mas ainda não temos o número total de feridos”, revelou Chicanhane.

Dados governamentais indicam que mais de 300.000 moçambicanos residem na África do Sul. Este país é o maior parceiro comercial de Moçambique na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), com transações comerciais que variam entre 1,7 bilhões e 2 bilhões de dólares anuais. O tráfego fronteiriço é intenso, com entre 1.700 a 2.000 camiões a cruzar diariamente, somando-se a um considerável comércio informal entre as duas nações.

Destaques da semana