Faleceu esta sexta-feira, em Portugal, a antiga Primeira-Ministra de Moçambique, Luísa Dias Diogo, aos 67 anos de idade, vítima de doença prolongada. A informação foi confirmada por fontes próximas da família e avançada por vários órgãos de comunicação social nacionais e internacionais.
Luísa Diogo encontrava-se a receber tratamento médico em Lisboa, no Centro Clínico Champalimaud, da Fundação Champalimaud, onde acabou por perder a vida. Até ao momento, não foram divulgados detalhes adicionais sobre as cerimónias fúnebres.
Economista de formação e quadro sénior da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder desde a independência nacional, Luísa Diogo marcou de forma profunda a história política e económica do país. Tornou-se, em Fevereiro de 2004, a primeira mulher a chefiar um Governo em Moçambique, cargo que exerceu até 2010.
Diogo desempenhou funções de elevada responsabilidade no Executivo, destacando-se como Ministra do Plano e Finanças entre 1999 e 2005, tendo igualmente ocupado o cargo de vice-ministra do mesmo pelouro desde 1994. O seu mandato coincidiu com um período considerado crucial para a consolidação macroeconómica e financeira do país no pós-guerra.
Natural da província de Tete, Luísa Diogo teve também uma carreira relevante fora do Governo. Em 2012, assumiu a presidência do Conselho de Administração do Barclays Bank Moçambique, actualmente Absa Bank Moçambique, e, em 2018, foi nomeada presidente do Parque Industrial de Beluluane, uma das principais plataformas industriais do país.
Em 2013, publicou o livro A Sopa da Madrugada: Das reformas à transformação económica e social em Moçambique (1994-2009), no qual faz um balanço do seu percurso governativo e das reformas estruturais implementadas ao longo desse período.
O seu contributo para a governação e para a promoção da igualdade de género valeu-lhe reconhecimento internacional.
Luísa Diogo foi distinguida pela revista Forbes como uma das mulheres mais influentes do mundo e incluída pela Time Magazine entre as 100 personalidades mais influentes a nível global, tendo participado igualmente em painéis das Nações Unidas.
Casada com o advogado Albano Silva, Luísa Diogo concorreu, em 2014, às eleições internas da Frelimo para a escolha do candidato presidencial do partido, processo que viria a ser vencido por Filipe Nyusi.















