Destaque Migração em Gaza acusada de cobranças ilícitas na emissão de passaportes

Migração em Gaza acusada de cobranças ilícitas na emissão de passaportes

Utentes da Direcção Provincial de Migração na província de Gaza denunciam a prática de cobranças ilícitas para a obtenção de passaportes, com valores que chegam a 1.500 meticais. 

Apesar das queixas, as autoridades migratórias afirmam desconhecer tais práticas e incentivam os afectados a denunciar os casos.

O passaporte é um documento essencial para muitos moçambicanos que vivem, trabalham ou estudam no exterior, especialmente na República da África do Sul. Contudo, a obtenção deste documento tem-se tornado um verdadeiro desafio, segundo relatos de utentes que frequentam a Direcção Provincial de Migração em Gaza.

“Chegamos por volta das 5 horas, mas ainda não conseguimos entrar. As pessoas enfrentam enormes dificuldades para tramitar os seus passaportes. Pediram-me 8 mil Meticais para acelerar o meu processo, mas não tenho esse valor”, lamentou Silvestre António, um dos utentes.

Mais de mil pessoas têm aguardado sob o sol intenso, com duas vias principais bloqueadas. Relatos indicam que muitos chegaram ao local antes das 3 horas da manhã, mas continuavam sem certezas até por volta das 12 horas, enquanto buscavam conforto em meio à agitação.

“O calor é intenso, e para ter acesso ao formulário cobram 50 Meticais. O preenchimento custa mais 50 Meticais, totalizando 100 Meticais”, queixou-se outra utente.

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Julário, de 36 anos, residente no distrito de Chibuto, chegou de madrugada para tratar do seu documento de viagem, mas sentiu-se impelido a permanecer na fila, uma vez que não tinha como pagar os mil Meticais que, segundo ele, eram exigidos pelos funcionários da migração para acelerar o seu processo. “Trouxe apenas 2.400 Meticais e cobraram mil Meticais”, revelou.

Outros utentes também reportam cobranças ilícitas no processo de tramitação dos passaportes urgentes, com valores que vão até 1.500 Meticais. “Cobraram-me 2.800 Meticais pelo passaporte e mais 1.500. Entreguei o valor debaixo do formulário, consegui reconhecê-lo, mas não consegui receber o passaporte”, afirmou um outro queixoso.

Quando confrontada sobre os alegados casos de corrupção, a Direção da Migração em Gaza afirmou desconhecer o assunto. Abeldo Nhanombe, porta-voz do Serviço de Migração, desafiou as vítimas a apresentarem provas substanciais das acusações.

Devido à morosidade no processo, os utentes chegam a esperar mais de 6 horas para conseguir tramitar os seus passaportes.

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