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Grávida perde as duas pernas após desabamento da casa devido às chuvas na Zambézia

Genita Ramos, uma jovem de 22 anos, grávida de cinco meses, sofreu a perda das duas pernas após a sua casa desabar enquanto dormia, em Alto Molócue, na província da Zambézia, centro de Moçambique. 

O acidente ocorreu em decorrência das fortes chuvas, ventos e trovoadas que têm assolado a região.

“Eu estava a dormir quando ouvi um barulho forte. De repente, tudo caiu em cima de mim e senti uma dor enorme”, relatou Genita, em lágrimas, à agência Lusa. O desabamento, que aconteceu na tarde de 4 de Dezembro, deixou a jovem gravemente ferida, necessitando de transferência para o Hospital Central de Nampula (HCN).

Genita chegou ao HCN no dia 9 de Dezembro, tendo conseguido, com dificuldade, angariar 4.000 meticais (53,28 euros) para o transporte, com o apoio de familiares e membros da sua congregação religiosa. No hospital, os médicos informaram que a única solução para salvar a sua vida era amputar as duas pernas, conforme contou Amina João, mãe de Genita.

Apesar da gravidade da situação, os profissionais de saúde confirmaram que Genita está fora de perigo e que a sua gestação segue normalmente.

Juntamente com o marido, Castelo Cardoso, de 25 anos, ambos camponeses, Genita também perdeu a casa e enfrentam um futuro incerto. O casal pede apoio para a reconstrução da sua residência e para a aquisição de uma barraca provisória onde possam retomar a vida. “Precisamos de ajuda para reconstruir a nossa casa e levantar uma barraca para podermos sobreviver”, afirmou Castelo, que se encontrava em ritos de iniciação no momento do incidente.

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Embora ainda não tenham recebido resposta quanto à reconstrução da casa, Genita já recebeu uma cadeira de rodas, oferecida pela esposa do governador de Nampula, Nazira Abdula, para facilitar a sua locomoção.

Desde o dia 7 de Janeiro, Moçambique tem enfrentado cheias generalizadas que resultaram na morte de pelo menos 12 pessoas e na afectação de quase 617 mil.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), desde o início da época chuvosa em Outubro, já se registaram 123 mortes e mais de 720 mil pessoas afectadas em todo o país. Em resposta à gravidade da situação, o Governo moçambicano decretou alerta vermelho nacional.

Ações de resgate continuam em curso para salvar centenas de famílias que permanecem sitiadas pelas cheias, algumas das quais se refugiaram em telhados de casas.

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