Economia Moçambique precisa urgentemente reformar auditoria interna para evitar prejuízos

Moçambique precisa urgentemente reformar auditoria interna para evitar prejuízos

O Presidente da Federação Africana do Instituto de Auditores Internos (AFIIA), Emmanuel Johannes, apelou à urgência na separação das funções de inspecção e auditoria interna em Moçambique.

Durante um workshop promovido pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF), Johannes enfatizou a necessidade de reforçar o orçamento destinado ao controlo do erário.

A recomendação surge após a divulgação dos resultados de uma avaliação do subsistema de auditoria interna no país, onde foram identificadas fragilidades estruturais e constrangimentos financeiros.

Johannes destacou a importância de uma formação técnica ampliada para auditores e a implementação de sistemas consistentes de gestão de risco em todas as instituições públicas.

Durante o evento, o especialista expôs que a confusão entre inspecção e auditoria tem debilitado o controlo e gerado ineficiências operacionais dentro do Estado. “Na inspecção, o foco está no cumprimento das normas, o que gera uma postura defensiva dos avaliados. A auditoria interna, por sua vez, tem uma abordagem proativa, orientada para a gestão de riscos”, explicou.

Se a separação das funções não for realizada de forma técnica e institucional, o sistema continuará reactivo, incapaz de evitar prejuízos. O relatório apresentado revelou que o orçamento destinado à auditoria interna sofreu um corte significativo entre 2023 e 2025, com apenas 19% das auditorias normais previstas a serem executadas em 2024.

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O Inspector-Geral do Ministério da Economia e Finanças, Emanuel Mabumo, complementou a análise, indicando que o workshop foi resultado de uma avaliação externa realizada por um especialista certificado da Tanzânia. Mabumo reconheceu que a IGF já sustenta auditoria baseada no risco, mas assinalou que muitas instituições estão atrasadas e requerem capacitação e reformas para actuarem de uma maneira preventiva.

Johannes reiterou a necessidade de garantir a independência funcional das unidades de auditoria interna, afirmando que esta independência deve estar assegurada no mais alto nível para evitar interferências e permitir que os auditores expressem conclusões técnicas com total liberdade.

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