A Millennium Challenge Corporation (MCC) anunciou a rescisão de um acordo de 350 milhões de dólares, que visava a construção de estradas em corredores estratégicos no Malawi, com a intenção de impulsionar o agro-negócio no país.
O comunicado foi emitido pelo director executivo da MCC, Dye Mawindo, que esclareceu que a decisão está alinhada com a política do Governo dos Estados Unidos da América, que suspendeu o financiamento governamental para projectos internacionais.
O contrato, assinado a 28 de Setembro de 2022, tinha uma duração prevista de cinco anos e será formalmente rescindido até ao dia 19 de Dezembro deste ano. O programa tinha como objectivo implementar melhorias significativas nas redes de transporte, reduzir custos para as empresas, fortalecer a administração de terras e aprimorar o ambiente de investimento no Malawi.
Este cancelamento de financiamento surge num momento crítico, uma vez que o Banco Mundial alertou para uma grave crise financeira que o Malawi enfrenta, a mais severa das últimas décadas. Este contexto é agravado por dívidas insustentáveis, défices crónicos e falhas na governança, que ameaçam a estabilidade nacional.
O relatório do Banco Mundial diz que o país está a atravessar a sua mais significativa crise económica, com o PIB per capita a apresentar queda em quatro dos últimos cinco anos. A pobreza aumenta, a inflação mantém-se elevada e a confiança pública nas instituições económicas deteriorou-se consideravelmente.
Adicionalmente, o défice fiscal do Malawi está entre os mais altos da África Subsaariana, ultrapassando frequentemente os orçamentos aprovados e violando os parâmetros regionais. Apesar de os gastos governamentais terem quase duplicado na última década, passando de 16% para mais de 30% do PIB, a qualidade dos serviços prestados não melhorou na mesma proporção.
A folha de pagamento do sector público cresceu para mais de 6% do PIB, em grande parte devido à expansão descontrolada da força de trabalho, promoções inconsistentes e abuso generalizado de benefícios. O documento apela, no entanto, a uma liderança decisiva, afirmando que o Malawi possui a capacidade de reverter sua trajectória e conquistar um futuro económico sustentável.

















