O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, informou na Assembleia da República, que o total de investimento prometido para o país no período vindouro ascende a 75 mil milhões de dólares.
Na sua tradicional intervenção anual sobre o Estado da Nação, Chapo destacou que este montante equivale a três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) anual de Moçambique. O governante atribui este feito a uma estratégia de “diplomacia económica e cooperação internacional”, que, segundo ele, procurou respostas para desafios profundos, exigindo coragem, um sentido de urgência e liderança.
O presidente mencionou que a diplomacia económica envolveu 27 viagens internacionais apenas nos últimos 11 meses, incluindo visitas oficiais e participações em fóruns multilaterais de alto nível. “Fomos ao mundo, e o mundo veio até a nós”, afirmou, crendo que estas deslocações estão a resultar em “frutos palpáveis”.
Entretanto, o que foi prometido e a sua concretização são duas questões distintas. Resta saber quão desse valor efectivamente se materializa em investimentos em Moçambique. Chapo reconheceu que apenas uma parte do investimento prometido está garantida, sendo o restante dependente da real disponibilidade de fundos.
Apesar das incertezas, Chapo expressou a firme convicção de que as promessas mencionadas “não se tratam de meros anúncios, mas resultados concretos que atestam a resiliência do nosso povo e a determinação do nosso Estado”.
O discurso do governante foi aplaudido pelo grupo parlamentar da Frelimo, mas alvo de críticas por parte dos três partidos da oposição: o Movimento Renovador de Moçambique (Renamo), o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) e o Partido Otimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos).
Os deputados da oposição contestaram a veracidade da apresentação de Chapo sobre a realidade moçambicana. Judite Macuacua, representante do MDM, afirmou que o Presidente apresentou “uma telenovela Moçambique”, desconectada da vida vivida pelos cidadãos. Acusou ainda Chapo de não combater eficazmente a corrupção e de tentar responsabilizar a actual situação do país pelos tumultos e manifestações pós-eleitorais. Macuacua realçou que, enquanto denunciava os distúrbios, Chapo se silenciou acerca das centenas de cidadãos mortos pela polícia.
Arnaldo Chalaua, da Renamo, criticou a qualidade dos serviços de educação e saúde, prevendo que o terrorismo na província de Cabo Delgado “continuará a ser o maior problema do nosso país”.
Por sua vez, Ivandro Massingue, do Podemos, considerou que não havia motivos para celebrar as declarações de Chapo, pois faltava um verdadeiro compromisso na erradicação da corrupção, aclimatando-se, em vez disso, uma constante onda de escândalos. Massingue lembrou que o saque ao erário público representa um problema muito mais grave do que os tumultos pós-eleitorais que tanto preocuparam o Presidente.

















