Sociedade Governo investe 12 milhões de dólares na reabilitação de instituições técnico-profissionais

Governo investe 12 milhões de dólares na reabilitação de instituições técnico-profissionais

O Governo de Moçambique anunciou um investimento de 12 milhões de dólares destinado à reabilitação de instituições técnico-profissionais em todo o país. 

Esta informação foi divulgada pelo secretário de Estado do Ensino Técnico-Profissional, Leo Jamal, durante o Fórum de Educação Profissional com o Sector Produtivo, realizado na segunda-feira na capital.

Jamal revelou que nove instituições já garantiram financiamento e iniciarão as obras em 2026. O investimento tem como objectivo ampliar a capacidade formativa e alinhar a oferta educativa com as necessidades do mercado de trabalho. Este passo é considerado imprescindível devido ao elevado crescimento da população jovem em Moçambique, que apresenta uma das taxas mais altas da região da África Austral.

O secretário de Estado sublinhou que a economia nacional ainda não gera empregos suficientes para acompanhar o aumento demográfico, tornando essencial reforçar a ligação entre formação e emprego. “A formação por si só não gera empregos, mas jovens devidamente preparados têm melhores possibilidades de empregabilidade, seja através do trabalho para outros ou ao criar o seu próprio posto de trabalho”, afirmou.

A reforma em curso introduz currículos baseados em padrões de competência definidos com o sector produtivo. Jamal explicou que esta abordagem assegura que as habilidades ensinadas nos institutos ou centros de formação profissional estão em conformidade com as competências exigidas pelas empresas.

O secretário encorajou o sector produtivo a participar activamente na definição das necessidades formativas, certificação de competências e inserção dos formandos no mercado de trabalho. Segundo Jamal, este é um momento crucial em que as instituições de formação, o sector produtivo e os parceiros podem avaliar a relevância da oferta educativa.

Jamal destacou os progressos realizados nos últimos quinze anos, nomeadamente na capacitação de formadores, com mais de 3.000 profissionais formados nas áreas tecnológicas e psicopedagógicas. Embora tenha sido possível criar novas instituições e centros de formação, existem ainda muitos desafios a superar. “Temos actualmente 264 instituições capacitadas para formar 120 mil jovens por ano, mas acreditamos que é possível aumentar esta capacidade”, acrescentou.

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O Executivo tenciona requalificar 30 instituições técnico-profissionais. A intervenção nas restantes dependerá da mobilização de recursos adicionais. No que respeita à contribuição das empresas para o financiamento do ensino técnico-profissional, prevista na legislação que criou a Autoridade Nacional de Educação Profissional (ANEP), Jamal confirmou que existe uma vontade do sector produtivo em participar. A lei estabelece uma contribuição de 0,65%.

O Ministério da Economia e Finanças está a concluir o modelo de recolha, com a expectativa de que as primeiras contribuições sejam efetuadas no próximo ano. Em relação às necessidades formativas, Jamal assinalou que a maior demanda recai sobre os sectores de construção civil, agricultura e manutenção industrial, alertando ainda para a necessidade de expandir a formação em tecnologias de informação e comunicação (TIC), que atualmente representa menos de 3% da oferta.

Samuel Gudo, Presidente do Conselho de Administração da ANEP, reforçou a importância da colaboração contínua com as instituições de formação para resolver os desafios persistentes. Gudo sublinhou a essencialidade do fórum e do diálogo com o sector produtivo, destacando que é fundamental propor formas concretas de alargar o mercado de formação às empresas, envolvendo-as na oferta de cursos e na realização de estágios pré-profissionais.

Além disso, Gudo recordou a relevância de potenciar a componente industrial se se pretende desenvolver o país, advogando uma maior inclusão desta área nas estratégias formativas.

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