Sociedade Moçambique reconhece necessidade de reformas perante as “pressões sociais”

Moçambique reconhece necessidade de reformas perante as “pressões sociais”


João Machatine tomou posse recentemente como coordenador executivo do Gabinete de Coordenação de Reformas e Projectos Estratégicos, onde prometeu introduzir reformas significativas para responder às necessidades sociais da população moçambicana. 

Em declarações à comunicação social, Machatine sublinhou a importância de alinhar as políticas do governo com as realidades actuais do país, enfatizando que “temos que introduzir reformas no sentido de ajustarmo-nos a estas realidades, a estas pressões sociais, para que as pessoas, de facto, vivam de uma forma digna”.

O novo responsável destacou que o seu gabinete desempenhará um papel crucial na assessoria ao Presidente da República, Daniel Chapo, visando uma possível renegociação de contractos relacionados com megaprojectos.

O objectivo, segundo Machatine, é unir os recursos naturais do país com a força de trabalho local, de forma a promover um desenvolvimento sustentável e inclusivo.

“Estas reformas terão como corolário a atracção de investimentos. Nós queremos fazer de Moçambique um espaço aprazível para se investir, para que, com base nesses investimentos, possamos catapultar a almejada independência económica”, afirmou Machatine, referindo-se às novas dinâmicas sociais que exigem mudanças profundas.

Machatine comprometeu-se a aconselhar o Presidente sobre a implementação de reformas abrangentes que visem melhorar as condições de vida dos jovens, especialmente nas zonas rurais. “Desde a reforma mais ínfima que tem a ver com como o pacato cidadão deve pagar a sua factura de água até à renegociação de contractos, passando pela questão dos Bilhetes de Identidade”, afirmou, ressaltando que a atenção não deve recair apenas sobre os megaprojectos, mas também sobre as questões que impactam o quotidiano dos cidadãos.

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Antes de assumir este cargo, Machatine ocupou a pasta das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos entre 2018 e 2022, durante a presidência de Filipe Nyusi. No acto de posse, o Presidente Chapo reforçou a necessidade de transformar o gabinete em um “catalisador de mudanças profundas na nossa economia e na sociedade”, sublinhando que é essencial mudar a realidade herdada do colonialismo, que ainda mantém a economia centrada na exportação de matérias-primas.

A nova liderança surge num contexto de crescente agitação social em Moçambique, onde manifestações e paralisações têm sido comuns desde Outubro. Inicialmente convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, os protestos têm-se alastrado, com a população a contestar não apenas os resultados eleitorais, mas também o aumento do custo de vida e outras problemáticas sociais.

Segundo a ONG Decide, mais de 327 pessoas perderam a vida e cerca de 750 foram feridas durante os distúrbios.

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