Desde o final de Julho, as inundações no Chade têm causado grande destruição e sofrimento, afectando mais de 1,9 milhões de pessoas, o que corresponde a mais de 10% da população deste país desértico da África Central.
Até ao momento, o número de vítimas mortais já atingiu 576, de acordo com dados fornecidos pelo governo.
As inundações resultam, principalmente, da subida do rio Chari, que se uniu ao seu afluente Logone, causando inundações severas em vários bairros da capital, N’Djamena. O primeiro-ministro do Chade, Allah-Maye Halina, anunciou durante uma reunião de crise que as águas do rio Chari continuam a subir, atingindo hoje um nível recorde. Esta situação tem preocupado as autoridades, que se encontram a trabalhar em medidas de contenção para evitar mais danos.
O impacto das inundações estende-se a todo o país. Desde julho, praticamente todas as regiões foram atingidas, com 119 dos 125 departamentos a sofrerem as consequências das cheias. Até agora, mais de 217.000 casas foram destruídas, 432.000 hectares de terras agrícolas devastados e 72.000 cabeças de gado afogadas, segundo o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA). A província do Lago Chade é uma das mais afetadas, mas nenhuma região foi poupada pelos efeitos devastadores das cheias.
Para enfrentar esta crise, o exército chadiano já está a construir barragens e estruturas de contenção para proteger as habitações do avanço das águas. Durante a reunião, o Primeiro-Ministro apelou também às empresas para que se mobilizem, disponibilizando máquinas e recursos para a construção de aterros. “Cada minuto é precioso”, destacou Allah-Maye Halina, enfatizando a urgência da situação.
As chuvas torrenciais que assolam o Chade são um reflexo claro do impacto crescente das alterações climáticas, e têm sido sentidas em várias outras regiões de África.
Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 1.500 pessoas já morreram devido às cheias em países como Burkina Faso, Camarões, Mali, Nigéria, Níger e Guiné, afectando no total cerca de quatro milhões de pessoas e provocando o deslocamento de mais de 1,2 milhões.
A ONU já tinha alertado, em Setembro, para o impacto devastador das chuvas na África Ocidental e Central, apelando a uma “ação imediata” e a um “financiamento adequado” para fazer frente à crise climática.
No caso específico do Chade, as necessidades de ajuda foram avaliadas em 129 milhões de dólares, mas até agora, apenas cerca de 15% desse montante foi coberto, o que revela a magnitude do desafio que o país enfrenta.
Esta catástrofe natural continua a exigir a mobilização de todos os sectores da sociedade chadiana e da comunidade internacional, numa corrida contra o tempo para salvar vidas e minimizar os danos materiais.















