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Tráfico de órgãos humanos atinge proporções alarmantes em África e expõe os mais vulneráveis

O tráfico ilegal de órgãos humanos está a atingir níveis preocupantes em África, tornando-se uma prática cada vez mais comum, especialmente entre as populações mais vulneráveis. 

Estima-se que esta operação criminosa gere anualmente entre 840 milhões e 1,7 mil milhões de dólares (cerca de 755 milhões a 1,5 mil milhões de euros), de acordo com um relatório da Global Financial Integrity (GFI), uma organização baseada em Washington, DC, que estuda corrupção, comércio ilícito e branqueamento de capitais.

Os rins destacam-se como os órgãos mais traficados, uma vez que os dadores podem sobreviver com apenas um dos seus rins removidos. Este comércio clandestino, alimentado pela pobreza e pela alta procura, tem prosperado numa atmosfera de falta de regulamentação adequada e de insuficiente condenação pública, segundo o advogado nigeriano de direitos humanos Frank Tietie. “O tráfico de órgãos atingiu proporções epidémicas, mas há um inquietante silêncio público sobre o assunto. Esperar-se-ia que a indignação fosse muito maior, mas não é o que observamos”, declarou Tietie à DW.

Embora a doação e transplante de órgãos sejam práticas médicas cruciais e bem regulamentadas em muitos contextos, permitindo salvar vidas de pacientes com órgãos em falência, o problema surge quando a necessidade de sobrevivência empurra as pessoas para venderem partes do seu próprio corpo. “Muitas vezes, a doação de órgãos é motivada pela pobreza extrema, e não pela intenção de ajudar alguém ou salvar uma vida,” explicou Tietie. Acrescentou ainda que, em certos casos, profissionais de saúde inescrupulosos realizam remoções de órgãos sem o consentimento dos seus pacientes.

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Este comércio ilegal não só explora os mais pobres, que são forçados a tomar decisões desesperadas, como também beneficia médicos e redes criminosas que lucram com a venda dos órgãos no mercado negro.

A ausência de uma regulamentação eficaz e de uma fiscalização rigorosa permite que o tráfico de órgãos prospere, alimentando um ciclo de exploração e sofrimento.

Organizações internacionais e autoridades governamentais são cada vez mais pressionadas a intervir de forma decisiva, não só para regular a doação de órgãos de forma mais rigorosa, mas também para garantir que os sistemas de saúde não se tornem cúmplices involuntários deste comércio.

A crescente procura por órgãos, aliada às frágeis condições económicas de muitas regiões de África, torna urgente uma acção coordenada para travar este flagelo, que já afecta milhares de vidas anualmente.

Os especialistas alertam que, para além da criação de políticas públicas eficazes, é necessário educar as comunidades sobre os perigos e as consequências do tráfico de órgãos, promovendo uma maior consciencialização e desencorajando práticas que perpetuam esta forma de exploração humana.

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