Pelo menos quatro pessoas morreram e dezenas ficaram feridas devido a confrontos de natureza étnica no sudeste do Bangladesh.
O exército do país intensificou a segurança na região, enquanto o Governo apelou à calma, na tentativa de controlar a escalada de violência.
De acordo com um comunicado emitido pelas forças armadas do Bangladesh, e citado pela agência Efe, a violência começou a agravar-se nos últimos dias em três distritos da região de Chittagong. O incidente que desencadeou os confrontos ocorreu na passada terça-feira, quando um homem foi linchado após o roubo de uma mota. Este episódio gerou protestos exigindo a captura dos responsáveis pelo ato, agravando ainda mais a tensão local.
Uma das principais fontes de conflito foi um ataque a uma marcha composta maioritariamente por bengalis, que foi alvo de uma investida por parte de membros da Frente Democrática Popular Unida (UPDF), um partido político étnico com facções armadas. Este ataque resultou em pelo menos seis feridos, agravando a hostilidade entre os diferentes grupos.
A situação rapidamente se deteriorou, com relatos de incêndios que devastaram mais de uma centena de lojas e estabelecimentos comerciais em várias localidades, muitos dos quais pertencentes a minorias étnicas.
Segundo o jornal local “The Daily Star”, mais de 50 pessoas ficaram feridas nos tumultos que se seguiram.
Na noite de quinta-feira, a tensão atingiu um novo pico, quando as forças armadas relataram a morte de três membros da UPDF. Estes indivíduos teriam disparado contra um grupo de soldados durante um tiroteio, o que levou à intervenção militar.
Na sexta-feira, o governo provisório do Bangladesh emitiu uma declaração apelando ao fim da violência. Além disso, anunciou que uma delegação de alto nível seria enviada à região afectada para avaliar a situação no terreno. Entre as medidas de emergência implementadas pelo governo, destacou-se a proibição de ajuntamentos de mais de três pessoas, numa tentativa de evitar novos confrontos.
Entretanto, a Amnistia Internacional também se manifestou, pedindo às autoridades do Bangladesh que interviessem para acabar com a violência entre “colonos bengalis e a comunidade indígena”.
A organização defendeu ainda a necessidade de uma investigação rigorosa para identificar os responsáveis pelos ataques.
A região de Chittagong, no sul do país, tem sido historicamente palco de tensões entre as minorias étnicas e os colonos bengalis, que frequentemente reivindicam territórios na área, resultando em disputas violentas e esporádicas.















