Sociedade Alto dirigente suspeito de tentativa de apropriação de veículo apreendido em Nampula

Alto dirigente suspeito de tentativa de apropriação de veículo apreendido em Nampula

Um agente das Alfândegas foi detido ilegalmente na cidade de Nampula, alegadamente por ordens de um alto dirigente que pretendia apoderar-se de um veículo apreendido. 

A Procuradoria de Nampula confirma os eventos e está a investigar quem emitiu a ordem de detenção.

O incidente ocorreu no Posto de Controle Número 1, situado a poucos quilómetros do centro de Nampula, ao longo da EN1. Este posto conta com a presença de agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) e das Alfândegas.

A polícia não permitiu que a equipa do Jornal “O País” estivesse presente no posto de controlo para reconstituir os acontecimentos. Contudo, a informação disponível indica que o episódio teve lugar no sábado (24).

Um agente alfandegário percebeu a presença de um indivíduo que tentava fotografar alguns veículos apreendidos.

O agente em questão impediu o indivíduo de tirar fotografias. Em resposta, o indivíduo terá feito uma chamada para uma alegada entidade superior na província de Nampula. Esta entidade superior solicitou falar com o agente alfandegário, que recusou atender a chamada.

Posteriormente, o agente foi recolhido por Agentes da Unidade de Protecção de Altas Individualidades (UPAI).

O agente alfandegário, identificado como Alírio João, foi detido sob a acusação de desobediência a uma entidade superior. Ele só foi liberto após 48 horas na prisão do Comando Provincial da PRM em Nampula.

Recomendado para si:  Gueta Chapo lidera conferência sobre empoderamento feminino em Maputo

Este caso está a gerar grande agitação na província de Nampula, e a Procuradoria reagiu na segunda-feira seguinte para confirmar a ocorrência. Lucinda Nunes de Caldas da Fonseca, porta-voz da Procuradoria de Nampula, esclareceu: “Durante a triagem, o Ministério Público tomou conhecimento da detenção de um cidadão. Após análise do auto, constatou-se que os elementos apresentados não sustentavam a acusação de desobediência prevista na Lei Penal em vigor. Com base nesta constatação, o Ministério Público ordenou imediatamente a libertação do cidadão e o arquivamento dos autos, segundo o processo penal e a legislação em vigor em Moçambique.”

A Procuradoria está a investigar a identidade da alegada entidade superior que ordenou a detenção ilegal do agente alfandegário, sem evidência de crime de desobediência. Dependendo dos resultados da investigação, poderá ser aberto um processo-crime contra essa pessoa.

O Jornal “O País” contactou a porta-voz do Comando Provincial, Rosa Chaúque, para obter um comentário sobre o incidente. Na altura, Chaúque afirmou que a polícia ainda tratava do assunto. Mais recentemente, a porta-voz indicou que a polícia deverá fazer um pronunciamento sobre o caso.

A Autoridade Tributária de Moçambique afirmou que continua a investigar o que ocorreu com o seu funcionário das Alfândegas e, por enquanto, não pode comentar publicamente sobre o assunto.

Destaques da semana