O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), em colaboração com diversos parceiros, está a desenvolver esforços para encontrar soluções sustentáveis para os deslocados internos resultantes do terrorismo em Cabo Delgado, no norte de Moçambique.
A situação dos deslocados internos representa um desafio significativo para as autoridades moçambicanas, diferindo consideravelmente da gestão dos deslocados devido a desastres naturais, onde há possibilidade de mobilizar e coordenar recursos de forma antecipada, graças às informações prévias disponíveis.
Esta análise foi apresentada hoje em Macaneta, no município de Marracuene, por Gabriel Belém Monteiro, vice-presidente do INGD, durante a abertura do Seminário sobre a Harmonização das Acções de Prontidão, Resposta e Reconstrução Pós-Desastres no Contexto dos Deslocamentos Internos em Moçambique.
“Em casos de desastres naturais, temos a capacidade de identificar áreas de risco com antecedência, dialogar com as comunidades e delinear estratégias de intervenção. No entanto, no caso dos deslocados internos, não dispomos dessa previsibilidade. Eles chegam subitamente e exigem uma resposta imediata,” afirmou Monteiro.
Segundo o vice-presidente, a colaboração com parceiros estratégicos, particularmente a Organização Internacional para as Migrações (OIM), tem sido crucial para enfrentar este desafio.
“Felizmente, temos uma cooperação com parceiros das Nações Unidas que ajudam a mitigar os impactos. Por isso, hoje já existem deslocados internos que conseguiram retomar actividades económicas,” sublinhou.
De acordo com dados do INGD, actualmente existem cerca de 1,2 milhão de deslocados internos em Cabo Delgado, muitos dos quais provenientes de áreas severamente afectadas pelo terrorismo. Deste total, cerca de 600 mil pessoas já regressaram às suas zonas de origem, enquanto outras decidiram estabelecer-se permanentemente nos locais de acolhimento, conseguindo, assim, retomar uma vida relativamente estável.
O INGD reconhece que o processo de normalização tem sido árduo, exigindo um trabalho profundo para aliviar o trauma causado pelas atrocidades perpetradas pelos terroristas.
“Foi um esforço colossal, mas já conseguimos estabilizar a situação. Actualmente, as pessoas estão a regressar graças à melhoria das condições de segurança no terreno,” destacou Monteiro.
Apesar dos progressos, Monteiro admitiu que a situação ainda não está completamente resolvida, mas expressou optimismo, afirmando que as condições de segurança em Cabo Delgado continuam a melhorar.
Por sua vez, o representante da OIM em Moçambique, Sascha Nlabu, destacou a necessidade de uma abordagem abrangente para lidar com a vulnerabilidade e o deslocamento interno no país. Esta abordagem deve integrar a gestão do risco de desastres no planeamento de desenvolvimento, com o objetivo de mitigar os efeitos adversos dos desastres e das mudanças climáticas.
Nlabu referiu ainda que, em consonância com o Plano Estratégico Global da OIM para 2024-2028, a organização procura abordar as causas do conflito e do deslocamento por desastres, trabalhando para salvar vidas, proteger os deslocados internos e os migrantes, promover soluções duradouras e facilitar a migração regular, visando alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.
O representante da OIM garantiu que a organização continuará a colaborar estreitamente com o INGD e outras entidades governamentais para apoiar as comunidades afectadas e os migrantes em todo o país, oferecendo assistência em áreas como abrigos, gestão de centros de acomodação, água e saneamento, saúde, entre outras.
“A OIM mantém o seu compromisso em apoiar a liderança do governo no apoio às comunidades afectadas por desastres, trabalhando em estreita colaboração com as autoridades governamentais e os parceiros,” concluiu Nlabu.
















