O líder do ANC, Cyril Ramaphosa, foi reeleito Presidente da República da África do Sul para um segundo mandato de cinco anos. O anúncio foi feito na sexta-feira.
Ramaphosa foi reeleito com 283 votos de um total de 339 contabilizados na noite de sexta-feira, durante a primeira sessão do 7º Parlamento sul-africano, realizada na Cidade do Cabo. A eleição foi presidida pelo juiz Raymond Zondo.
O líder do partido de extrema-esquerda Combatentes da Liberdade Económica (EFF), Julius Malema, foi o segundo candidato nomeado para o cargo de Presidente da República, tendo obtido 44 votos dos 342 deputados presentes na sessão.
Cyril Ramaphosa, que sucedeu Jacob Zuma como Presidente da República, prometeu combater a corrupção no país. Em 2018, Zuma foi pressionado a afastar-se pelo comité central do ANC devido a múltiplos escândalos de corrupção pública.
Em 2022, o governo sul-africano estimou que a grande corrupção durante o mandato de quase 10 anos de Zuma custou ao país cerca de 500 mil milhões de rands (29,3 mil milhões de euros).
A reeleição de Ramaphosa é vista como um “claro sinal” de uma mudança para políticas centristas e liberais, após 30 anos de governação do ANC, partido de ideologia marxista-leninista, em aliança com o Partido Comunista da África do Sul (SACP) e a confederação sindical COSATU, segundo analistas sul-africanos.
“É o endossar de políticas centristas e democráticas longe da política radical e racial defendida pelo EFF e os seus apoiantes hoje, o ATM, UDM e o NCC”, afirmou Adriaan Basson, editor do portal News24.
Na opinião deste analista, a reintrodução do caso Phala Phala na agenda do sétimo parlamento é uma estratégia do EFF para testar a nova coligação de partidos do ANC com a Aliança Democrática (DA) e o Partido Livre Inkatha (IFP), para verificar se votarão contra um processo de destituição de Ramaphosa.
“Este tipo de cenários irá testar o acordo para a formação de um Governo de Unidade Nacional (GNU) celebrado entre os partidos da troika hoje”, destacou o analista.
O parlamento sul-africano empossou, de manhã, 85,5% dos 400 recém-eleitos legisladores, após um boicote do partido uMkhonto weSizwe (MK), liderado pelo ex-Presidente Jacob Zuma, que não compareceu na Assembleia Nacional.
O partido dissidente do ANC, que recusou formar governo com o partido no poder, elegeu 58 mandatos para a Assembleia Nacional, sendo a terceira força política mais votada nas eleições de 29 de Maio com 14,58% dos votos, segundo a comissão eleitoral.
O ANC, que obteve 40,18% dos votos, perdeu a maioria, sendo obrigado a formar um Governo de Unidade Nacional.
Pela primeira vez em 30 anos de democracia na África do Sul, um deputado do maior partido de oposição DA foi eleito vice-presidente da Assembleia Nacional. Annelie Lotriet, deputada do DA, foi eleita para o segundo mais alto cargo com o apoio do ANC.
O juiz Raymond Zondo, que presidiu à cerimónia de tomada de posse dos legisladores e à eleição do chefe de Estado, salientou que “30 anos de democracia são um marco importante”, acrescentando que “os sul-africanos têm a oportunidade de olhar para trás e ver onde cometeram erros”.
O juiz, que ouviu entre Agosto de 2018 e Dezembro de 2021 mais de 300 testemunhas sobre corrupção pública, concluiu no seu relatório que a corrupção generalizada em benefício do ANC, o colapso da governação das empresas estatais e a falta de transparência fomentaram uma “cultura de impunidade” no país.
A comissão judicial ‘Zondo’ foi criada em Janeiro de 2018 na sequência de um relatório sobre corrupção intitulado “Captura do Estado”, elaborado pela então procuradora-geral da República (PGR) Tuli Mandonsela, e divulgado em Outubro de 2016.















