Os sindicatos e associações de camionistas do Malawi e da região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) reiteraram a sua preocupação com o que consideram detenções arbitrárias de seus membros pela polícia moçambicana. Ao mesmo tempo, exigem que Maputo indenize o motorista malawiano agredido por agentes da guarda fronteiriça em janeiro.
As quatro associações de transporte de longa distância e o sindicato do Malawi estão a pedir uma solução duradoura para vários incidentes de agressão contra os seus membros, especialmente nos corredores da Beira (N6) e Tete (N7), que ligam o porto da Beira, no Oceano Índico, aos países africanos do interior.
Em comunicado conjunto, as associações do Malawi destacam a importância de defender o princípio de que todos são inocentes até prova em contrário. O incidente com o motorista malawiano, Elasto Ngonyani, levantou preocupações sobre direitos humanos, uma vez que a agressão ocorreu antes de qualquer processo legal formal.
Por sua vez, a associação dos transportadores da SADC aponta que a detenção e agressão de seus membros geralmente acontecem quando eles se recusam a pagar subornos em postos de fiscalização.
Steven Masunga, presidente da associação da SADC, questionou por que a polícia, em vez de proteger, prende motoristas malawianos, tanzanianos, zimbabuanos ou sul-africanos por não pagarem subornos por corrupção.
No entanto, a polícia em Manica negou que as detenções estejam relacionadas a subornos exigidos pela polícia de trânsito, e pede que as vítimas denunciem as violações. Mateus Mindu, porta-voz da polícia em Manica, destacou que os camionistas, principalmente malawianos, detidos em Manica estavam envolvidos em tráfico humano e contrabando de diversos produtos.
As autoridades de Moçambique já pediram desculpas publicamente ao Malawi pelo incidente e prometeram trabalhar para uma atuação dentro dos limites estabelecidos. Entretanto, os dois agentes da Polícia da guarda fronteiriça moçambicana, responsáveis pela agressão ao camionista malawiano, foram suspensos, anunciou a Polícia da República de Moçambique (PRM) em Tete.
O analista e jornalista moçambicano, Fernando Lima, destaca que as detenções e agressões foram discutidas na última reunião entre os ministros dos transportes de Moçambique e Malawi, devido à preocupação do Malawi com a segurança de seus condutores. Ele observa que isso afeta o fluxo de negócios entre os dois países e prejudica Moçambique.
Historicamente, a relação entre Moçambique e o Malawi nem sempre foi boa, apesar dos esforços de ambos os lados para melhorar. A agressão ao motorista malawiano foi vista como uma violação do protocolo da SADC de livre circulação de pessoas e bens na região.
















