O Bispo de Pemba afirmou hoje à Lusa que ainda não há condições de segurança para que as pessoas deslocadas pelos recentes ataques em Cabo Delgado, possam regressar às suas aldeias, enfatizando a urgência da assistência aos deslocados.
“Não existe segurança suficiente para que as pessoas voltem à região de Mazeze [uma das aldeias afetadas pela violência armada] e retomem a sua vida como era antes”, declarou António Juliasse, Bispo de Pemba, a capital da província de Cabo Delgado.
Ele acrescentou que, se a situação de segurança permitir, os missionários e pessoal religioso também retornarão, pois estão dedicados ao serviço do povo.
Os missionários, forçados a fugir dos últimos ataques terroristas no sul de Cabo Delgado, estão agora deslocados e abrigados em áreas mais seguras, mas mantêm-se comprometidos a ajudar a população local.
António Juliasse destacou a urgência da assistência humanitária e apelou à comunidade internacional para não esquecer as necessidades das pessoas afetadas na região de Cabo Delgado.
“A ajuda humanitária é urgentemente necessária aqui em Cabo Delgado. É importante que todos unam esforços para garantir que essas pessoas não sejam abandonadas”, sublinhou.
Ele expressou preocupação com a possibilidade de Cabo Delgado ser negligenciado em termos de assistência humanitária devido a outras crises globais e pediu apoio contínuo para a região.
Juliasse também comentou sobre relatos recentes que sugerem um aumento da atividade dos grupos armados na região e alertou para a continuidade da violência.
“A Igreja Católica sempre alertou para a situação do terrorismo em Cabo Delgado, mesmo quando o país falava em acalmia. Continuamos a ver mortes por causa da guerra”, afirmou.
Desde janeiro, grupos armados têm intensificado os ataques no centro e sul de Cabo Delgado, expandindo a sua área de atuação além do norte da província.
O Bispo de Pemba também falou sobre as razões subjacentes ao recrutamento de jovens pelos grupos armados, apontando para a pobreza e a exclusão social como fatores que contribuem para a vulnerabilidade dos jovens.
Ele enfatizou que uma abordagem militar por si só não será suficiente para conter a violência armada e defendeu a necessidade de uma estratégia mais ampla para lidar com o extremismo e radicalismo na região.
A recente onda de ataques terroristas em Cabo Delgado resultou em mais de 99.000 deslocados em menos de um mês, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações. O grupo terrorista Estado Islâmico reivindicou a autoria de vários ataques, resultando na destruição de igrejas, casas e edifícios públicos na região.
















