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Crise energética na Europa deverá acelerar a retoma dos projectos na bacia do Rovuma – CIP

O Centro de Integridade Pública, CIP, considerou esta quarta-feira, 21 de Setembro, que a crise do gás pode fazer a petrolífera TotalEnergies acelerar a retoma dos projectos de liquefacção em Cabo Delgado parados há ano e meio por causa da insurgência armada na região.

“A TotalEnergies poderá reconsiderar a sua posição inicial” de só retomar os trabalhos com a “vida normalizada”. Mesmo com alguns focos de violência armada na província, os preços são convidativos.

O CIP estima que as previsões de preço do gás que sustentam o investimento dispararam 325% no actual contexto, com a guerra na Ucrânia e as sanções à Rússia.

“Pelo menos, nos primeiros anos de produção, serão muito superiores às previsões iniciais” e o consórcio petrolífero pode obter “lucros extraordinários”, ainda que tenha despesas extra com segurança.

“É previsível um retorno rápido da TotalEnergies, mesmo considerando que, na melhor das hipóteses, o gás só chegará ao mercado em 2027/28 se as obras recomeçarem logo no primeiro semestre de 2023 e assumindo ainda que o projecto não irá sofrer nenhum atraso relacionado com a insegurança, que ainda é uma realidade”, acrescenta.

O cenário poderá recompensar os cofres do Estado moçambicano, mas o CIP alerta para outros riscos.

“O terrorismo em Cabo Delgado é, antes de tudo, uma crise de protecção, com civis, especialmente mulheres e crianças, expostos a graves violações dos direitos humanos”, destaca.

Neste sentido, considera urgente que “o Governo não caia na tentação de só proteger os interesses da TotalEnergies” em Cabo Delgado.

A ONG diz ser importante que o Estado “se concentre em criar condições para que haja uma paz efectiva e segurança generalizada em toda a região norte”.