Destaque Angola: FDS colocadas em “estado de prontidão combativa”

Angola: FDS colocadas em “estado de prontidão combativa”

Entrou em vigor, esta segunda-feira, o despacho datado de 3 de setembro, que coloca em “estado de prontidão combativa elevada” as Forças Armadas de Angola, segundo o despacho as medidas preventivas visam evitar “incidentes que perturbem a ordem e tranquilidade públicas”.

O reforço de agentes da defesa e segurança na rua e instituições públicas, em Luanda, está a ser visto, por populares, como uma medida de intimidação, numa altura que se aguarda o pronunciamento do Tribunal Constitucional em relação ao recurso do maior partido da oposição, a UNITA.

O Tribunal Constitucional de Angola aceitou a Providência Cautelar entregue pela UNITA. A providência cautelar contesta os resultados das eleições que deram a vitória ao MPLA. Desta forma, a atribuição de mandatos fica suspensa até o Tribunal se pronunciar sobre o caso.

Os angolanos mostram-se assustados e questionam a exposição de material de guerra. As FAA, Forças Armadas Angolanas, anunciaram este domingo, 4 de Setembro, a entrada em estado de prontidão combativa elevada até 20 de Setembro, para prevenir incidentes pós-eleitorais, sobretudo na capital angolana.

A medida que visa também proteger as instituições públicas e devolver o sentimento de segurança aos cidadãos, enquanto durar a crise pós-eleitoral, está a dividir a opinião entre os luandenses.

Ribeiro da Cunha, reformado de 72 anos, acha normal o reforço de militares das Forças Armadas Angolanas, da Polícia Nacional, atendendo ao período que o país atravessa.

“Desde então a polícia sempre esteve na rua, para manter a ordem e tranquilidade da população. E hoje não vejo coisa estranha, quando as forças armadas existem para a defesa da integridade do país”, assegurou Ribeiro da Cunha.

Recomendado para si:  Homem que tentou assassinar Trump é condenado à prisão perpétua

Opinião contrária tem Elone Emanuel, para quem este dispositivo não se justifica. “Tantos militares e polícia na rua não se justifica, já que o MPLA alega ser o vencedor das eleições de 24 de Agosto”, explica Elone Emanuel, lembrando ser “anormal e desnecessário, visto que estamos no pós-eleição e as eleições até correram bem. Não há razões de estimularem o medo no seio da população”, disse o estudante.

A comerciante Marta Numa confirma a presença de forças armadas e da polícia em massa no seu bairro, mas que estes estariam a aproveitar o momento para extorquir dinheiro aos automobilistas.

“O que vejo, principalmente, na minha rua, eles estão sempre ali, mas a interpelarem, simplesmente, os carros, os motoqueiros, tudo para quê? Para conseguirem dinheiro. Mas o que eles têm que fazer, na verdade, não fazem, uma vez que a minha rua tem muitos gatunos”, denuncia Marta Numa, de 26 anos.

O comunicado das FAA alega, ainda, que serão reforçadas as medidas de segurança em torno dos principais objectivos económicos e estratégicos e das instituições do Estado, medidas de controlo do movimento de colunas militares e de restrições na saída de aeronaves militares.

Destaques da semana