Internacional Angola: IURD em queixa-se de ter sido “impedida” de realizar atividade religiosa

Angola: IURD em queixa-se de ter sido “impedida” de realizar atividade religiosa


A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola queixa-se de ter sido “impedida” pelo Governo de Luanda de realizar no domingo um “clamor pelas famílias ao pé da cruz”, apesar de ter comunicado às autoridades.

Segundo a IURD, desde 13 de maio de 2022 enviou cartas às autoridades do município do Talatona, sul de Luanda, ao comando municipal e distrital da polícia e em 24 de maio ao Governo Provincial de Luanda (GPL), mas não teve autorização para a realização da atividade num espaço afeto à igreja.

A IURD refere que a utilização do seu espaço “não carece de um pedido de autorização, mas sim de um comunicado”, e considera que a forma como a igreja procedeu “não configura quebra de nenhuma lei”.

Mesmo depois de cumprido todos os protocolos, a IURD afirma ter sido surpreendida com a resposta do GPL, dizendo que “as celebrações das atividades religiosas que devem ser autorizadas pelas autoridades locais competentes estão circunscritas às entidades religiosas legalmente reconhecidas”.

“Analisando a comunicação escrita, verificamos que a Igreja Universal tem como representante o bispo António Miguel Ferraz, que assina a solicitação da atividade, não tem legitimidade para o efeito e consequentemente não está autorizado para realizar a referida atividade”, afirma a IURD, citando a resposta do GPL.

A IURD, reconhecida em Angola desde 1992, recorda que “tem um estatuto interno, na qual por uma assembleia geral devidamente convocada, elegeu-se os seus legítimos representantes, sendo o bispo António Miguel Ferraz o legítimo representante da igreja em Angola”.

Aos fiéis, a direção da IURD apela a manterem-se “calmos e seremos”, pois, observa, “estamos confiantes na justiça divina e dos homens, acreditando sempre nas leis angolanas, bem como num desfecho definitivo do assunto”.

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Um acórdão do Tribunal da Comarca de Luanda (TCL), datado de 31 de março de 2022, absolveu os pastores da IURD dos crimes de que vinham sendo acusados e determinou o “levantamento das apreensões e a restituição imediata” dos templos, encerrados há dois anos, como disse em abril passado o bispo Alberto Segunda.

Alberto Segunda (líder da ala brasileira), que falava em conferência de imprensa, deu conta que a reabertura dos templos da IURD, foi seguida de alegadas “ameaças e intimidações” por parte de responsáveis do Instituto Nacional dos Assuntos Religiosos (INAR) angolano e de agentes da polícia contra os seus fiéis.

O bispo angolano pediu, na ocasião, a intervenção do Presidente angolano, João Lourenço, para “mediar o conflito” que persiste, sobretudo em relação aos mais de 100 templos, e uma “atenção especial” aos mais de 500 mil de fiéis.

A direção da IURD reconhecida pelo INAR é encabeçada pelo bispo Valente Bizerra Luís, que coordenava a comissão de reforma que entrou em conflito com a liderança brasileira da IURD em 2019.

Ambas as alas – a de origem brasileira, liderada agora pelo angolano Alberto Segunda, e a ala dissidente, angolana, dirigida por Bizerra Luís reclamam ser as legítimas representantes da igreja fundada por Edir Macedo.

No entanto, o Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional anunciou, dias depois, que continuava interdito o acesso aos templos da IURD até o tribunal notificar as autoridades policiais para o seu levantamento.

A informação foi transmitida, na ocasião, pelo porta-voz da polícia em Luanda, Nestor Goubel, afirmando que a corporação começou a desenvolver uma operação policial “conducente a garantir o cumprimento da ordem de interdição proferida pelo tribunal”.

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