Internacional Alex Saab se declara culpado de lavagem de dinheiro nos EUA

Alex Saab se declara culpado de lavagem de dinheiro nos EUA


O ex-ministro da Indústria da Venezuela, Alex Saab, reconheceu a sua culpa em tribunal, face a acusações de conspiração para branqueamento de capitais e transacções financeiras ilícitas. 

Este desenvolvimento foi reportado pela imprensa venezuelana, que destacou que a declaração aconteceu durante uma audiência num tribunal federal em Miami, Florida.

Segundo o diário El Nacional, Saab, que é considerado um intermediário do presidente Nicolás Maduro, chegou a esta decisão após um acordo com o Ministério Público dos Estados Unidos. Durante a audiência, garantiu que não sofreu ameaças ou coerção para aceitar a sua culpabilidade. “Culpado, Meritíssima”, afirmou perante a juíza Kathleen M. Williams, alterando a sua posição anterior de inocência.

O conteúdo do acordo, que possui 12 páginas, não foi tornado público. Contudo, a defesa de Saab poderá enfrentar uma pena máxima de 20 anos de prisão, enquanto aguarda a sentença que será anunciada em Janeiro de 2027. O ex-ministro admitiu ter conspirado para realizar actividades ilícitas, incluindo fraude, suborno de funcionários públicos e concepção de métodos para ocultar a origem dos fundos.

Durante as investigações, foi noticiado que Saab acordou entregar cerca de 195 milhões de dólares, quantia considerada como lucros obtidos através de práticas corruptas. O seu processo de deportação para os Estados Unidos foi anunciado pelo governo venezuelano a 17 de Maio, tendo sido justificada com o envolvimento do empresário em diversos crimes nos EUA.

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Saab foi previamente detido em Cabo Verde em 2020 e, após extraditado para os Estados Unidos, regressou à Venezuela em 2023, no âmbito de uma troca de prisioneiros. A administração norte-americana, liderada na altura por Donald Trump, já havia iniciado negociações para a extradição do ex-ministro, que durante anos foi um aliado próximo de Maduro.

As autoridades norte-americanas acusaram Saab de estar à frente de uma rede de empresas fictícias e de ter desviado milhões de dólares de contractos do governo relacionados com a importação de alimentos. Estas acções estão associadas ao programa CLAP, estabelecido para fornecer alimentos básicos a populações vulneráveis da Venezuela em plena crise económica.

Recentemente, o atual governo venezuelano, sob a presidência interina de Delcy Rodríguez, também deteve Saab, em resposta a um pedido de Washington. Descrito como diplomata pelo governo de Maduro, Saab foi agraciado com funções de relevo, incluindo o cargo de presidente do Centro Internacional de Investimentos Produtivos e, posteriormente, ministro da Indústria e Produção Nacional. Em janeiro do ano passado, foi exonerado desse ministério após uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, que levou à captura de Nicolás Maduro.

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