A proliferação de residências onde havia floresta de mangal junto à capital de Moçambique e atualmente, com a água cada vez mais próxima, teme pelo futuro dos residentes do seu bairro, maioritariamente pescadores pobres que dependem da faina para sobreviver.
Apesar das placas do município da Cidade Maputo que classificam a área como “zona protegida”, o vasto mangal que cobria parte da praia começa a sucumbir face à construção, entre mansões de quem quer ter uma vista privilegiada, até pequenas moradias improvisadas por pessoas de outras províncias que procuram começar a vida na capital.
Se, por um lado, a construção na “zona protegida” ameaça o ecossistema, por outro, a erosão entra onde a floresta foi arrancada. A força da água já não encontra barreiras naturais e começa a ter impacto direto na primeira área residencial, com alguns muros de vedação destruídos e as árvores que protegem a estrada a mostrarem as raízes face a “uma maré que anda muito alta nos últimos anos”.
Embora com baixos níveis de poluição, Moçambique, com uma costa de cerca de 2.700 quilómetros, está entre os países mais vulneráveis às mudanças climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais.
Este contexto coloca o país entre os mais interessados no alcance das metas do acordo de Paris para travar o aquecimento global, a subida dos oceanos e a proliferação de eventos meteorológicos extremos, mas os desafios são enormes face aos altos índices de pobreza e a ambição de alcançar uma economia industrializada, num momento em que alguns combustíveis fósseis continuam entre os principais produtos de exportação (como o carvão e o gás).
A 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP 26) decorre de 31 de outubro a 12 de novembro e deverá atualizar as metas dos países que assinaram o acordo de Paris para travar o aquecimento global, definindo prazos concretos para atingirem a neutralidade nas emissões de gases poluentes com efeito de estufa.
O sucesso da cimeira dependerá de serem fixados objetivos nacionais mais ambiciosos e de se garantir o financiamento necessário para ajudar os países mais pobres a fazerem as suas próprias transições para economias menos poluentes e para se adaptarem aos efeitos das alterações climáticas.
O objetivo fixado em Paris é limitar até ao fim do século o aquecimento global a 1,5 graus centígrados em relação à era pré-industrial.















