O gabinete de estudos do Standard Bank em Moçambique alertou ontem (11) que o país pode enfrentar um período de crescimento económico baixo e inflação alta, o que dificulta as opções do Governo sobre a política económica.

“O aumento da inflação, quando o emprego está ciclicamente baixo devido à economia fraca, coloca um desafio para os decisores políticos porque as políticas para combater a inflação podem abrandar o crescimento económico, mas aumentar o desemprego”, lê-se numa análise sobre a economia moçambicana enviada hoje à Lusa.

No relatório, o gabinete de estudos económicos do Standard Bank salienta que “deverá haver uma recuperação no segundo semestre, mas é bem possível que Moçambique enfrente o espectro de uma ‘estagflação’”, que se caracteriza por um crescimento económico baixo ou até nulo, acompanhado de uma forte subida dos preços.

A inflação em Maputo, Beira e Nampula acelerou, em termos homólogos, para 5,1% em fevereiro, o que compara com os 4,1% registados em janeiro, “ultrapassando a previsão de 4,5% e colocando o espetro da estagflação”, lê-se no texto, que aponta que a subida dos preços foi motivada principalmente pelo aumento dos preços dos bens alimentares, que subiram 11,5%, e pelos custos da energia, que aumentaram 11,7%.

Para o total do país, o crescimento foi de 1,34% em fevereiro, o que representa uma ligeira aceleração face à subida de 1,18% registada no mês anterior.

É preciso recuar até dezembro de 2017 para encontrar um valor superior de inflação homóloga (variação dos preços ao consumidor em relação ao mesmo mês do ano anterior), que na altura foi de 5,65%, segundo quadros do INE consultados pela Lusa.

Na análise a alguns indicadores macroeconómicos e de finanças públicas, o Standard Bank salienta ainda que “no ano passado o crescimento do montante da dívida pública interna foi de 27,2% face a 2019, o que representa 20,2% do PIB, excluindo a dívida das empresas públicas, pode aumentar as preocupações com a sustentabilidade da dívida”.

Neste ponto, os analistas alertam que “de acordo com a mais recente Análise de Sustentabilidade da Dívida feita pelo Fundo Monetário Internacional, a dívida soberana de Moçambique só era considerada sustentável numa perspetiva de futuro, ou seja, quando as futuras receitas do gás são consideradas e os empréstimos da Mozambique Asset Management (MAM) e da ProIndicus são excluídos”.

No texto, o departamento económico do Standard Bank aponta ainda que “um abrandamento das restrições à movimentação, progresso ou desmilitarização no centro de Moçambique e progressos no combate ao terrorismo em Cabo Delgado podem melhorar a perspetiva de evolução da economia para 2021, especialmente se forem apoiados por um progresso mais acelerado nos projetos de gás do país”.