Início Sociedade Vacina da Tuberculose será testada em Moçambique no combate ao Coronavírus

Vacina da Tuberculose será testada em Moçambique no combate ao Coronavírus

Trata-se da vacina BCG (Vacina do Bacilo Calmette-Guérin), usada em Moçambique desde os finais dos anos 70 e que é administrada a crianças logo à nascença, para prevenir a tuberculose. O estudo que irá começar, de princípio este mês, terá como grupo alvo mais de 300 profissionais de saúde.

Num contexto em que o mundo está numa corrida frenética em busca de soluções para travar mortes causadas pela Covid-19, Moçambique, através do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane, irá iniciar, este mês, um ensaio clínico para avaliar o uso da vacina BCG para o combate à COVID-19.

“A escolha desta vacina veio do facto de, na área científica, se ter notado que nos países do sul da Ásia e de África que usam esta vacina, a incidência da COVID-19 ter sido reduzida, se comparada a outros países que o uso da BCG foi descontinuada. Daí, levantou-se a hipótese que esta vacina pode ser um factor protector para a COVID-19”, revelou Hélio Mucavel, Coordenador da Área das Doenças Respiratórias, no centro de pesquisa.

Entretanto, o pesquisador não deixou de recordar que se “trata de uma hipótese. Dentro dessa possibilidade podem existir outros factores de “confusão” que nos podem estar a levar a esse entendimento. Para o efeito, iremos fazer este estudo num ambiente controlado, através de um ensaio clínico”.

Segundo o centro, além de prevenir a tuberculose, a vacina BCG já mostrou conter efeitos protectores benéficos para outras infecções. No referido estudo participaram 350 profissionais de saúde, que são o grupo mais exposto à doença.

“Iremos pegar esse número de profissionais e dividir em dois grupos. Num iremos administrar a vacina e noutro iremos administrar o soro fisiológico (substância que não produz nenhuma acção) e vamos estudar esses grupos por seis meses. Escolhemos os profissionais de saúde porque são o grupo que está na linha-da-frente do combate à doença. Mais do que isso, surgiu outra hipótese de que a BCG pode reduzir, em cerca de 20 por cento, o absentismo laboral por doença dos profissionais de saúde”.

FONTEO País
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