Os ativistas cubanos que fizeram greve de fome para exigir, nomeadamente, a libertação de um camarada preso, terminaram o jejum, após receberem apoio da comunidade artística e intelectual, que chegou a acordo preliminar para diálogo com o governo.

Graças a todos esses intelectuais, dramaturgos, graças ao cubano que se conectou com a realidade do que nos aconteceu, anuncio que terminei hoje a greve”, declarou o rapper Maykel “Osorbo” Castillo, numa mensagem de voz a que a agência de notícias espanhola Efe teve acesso.

Osorbo‘ foi um dos dois membros da oposição, do Movimento San Isidro, que, no início do último fim de semana, ainda estava em greve de fome, declarada na quarta-feira anterior, 18. O outro ativista que permanecia em greve de fome era o artista Juan Manuel Otero Alcantara, considerado o líder do grupo, que voltou a comer no sábado e está agora num hospital em Havana.

Com a greve de fome, a que se juntaram inicialmente três outros ativistas, um grupo de 14 pessoas, no total, barricadas na casa de Otero Alcantara, no bairro de San Isidro, conseguiu captar a atenção dos meios de comunicação e organizações internacionais, como a Amnistia Internacional.

Na quinta-feira, as autoridades despejaram-nos à força com o argumento de que um deles tinha violado as regras anti-Covid-19, suscitando um protesto pacífico, no dia seguinte, de mais de 300 artistas e intelectuais cubanos, incluindo o realizador Fernando Pérez, o ator Jorge Perugorría e o cantor Leoni Torres, apelando à liberdade de expressão e criação.

O encontro de artistas, que decorreu em frente ao Ministério da Cultura, foi algo sem precedentes em Cuba, onde não existe o direito de facto de manifestação conra o Estado, e terminou com uma reunião entre trinta dos seus representantes e altos funcionários do ministério e outras entidades relacionadas.

Ambas as partes comprometeram-se a dialogar para resolver as suas divergências e, de acordo com os representantes do coletivo artístico, as autoridades garantiram que iriam suspender por enquanto a perseguição policial dos ativistas críticos do Governo.

No entanto, pelo menos quatro deles (incluindo Osorbo) relataram, que, desde sábado que as patrulhas policiais estão estacionadas em frente das suas casas para evitar que saiam à rua, enquanto Otero Alcántara está impedido de receber visitas no hospital e os seus colegas reclamam que não lhe é permitido regressar a casa, onde teve lugar a greve de fome que acendeu o rastilho do conflito.

O líder San Isidro “está como que sequestrado por protocolos de saúde que só se aplicam a ele”, disse o artista, produtor e promotor Michel Matos à Efe.

Matos, também membro do movimento de oposição, disse que, apesar do fim da greve de fome, continuarão a apelar ao diálogo com as autoridades e a lutar pacificamente para exigir “liberdade de expressão, associação e empreendimento”, bem como a libertação do rapper Denis Solis.

Solis foi condenado a oito meses de prisão por insultar um polícia que alegadamente entrou na sua casa sem autorização (ele próprio gravou e transmitiu num vídeo, o incidente nas redes sociais) num julgamento sumário que os opositores dizem não ter garantias adequadas, enquanto o governo afirma que a lei foi respeitada.