O Presidente da República sul-africano, Cyril Ramaphosa, condenou ontem a violência xenófoba dirigida contra camionistas imigrantes, que já causou um morto e destruiu pelo menos 32 camiões nos últimos dias.

“Como sul-africanos, não podemos tolerar a ilegalidade sangrenta e estúpida com que a indústria de transportes rodoviários está a ser alvo”, lê-se num comunicado divulgado ontem no sítio oficial de internet da Presidência da República.

“Não podemos tolerar esta perda de vidas e a destruição de propriedade”, adianta o chefe de Estado.

A Presidência da República sul-africana sublinha que Ramaphosa “também está profundamente preocupado” com o impacto da recente onda de violência e vandalismo nas empresas de transporte rodoviário afectadas, bem como com a ruptura económica causada por recentes actos, “justamente quando o país está focado na reconstrução da economia”.

As autoridades sul-africanas encerraram ontem a auto-estrada N12, no leste de Joanesburgo, e que serve de principal rota de ligação com Moçambique, onde dois camiões de Transporte Internacional Rodoviário (TIR) foram incendiados às 6 horas da manhã de ontem.

O incidente foi o mais recente na onda de protestos levada a cabo em todo o país por membros do All Truck Drivers Foundation (ATDF) e da National Truck Drivers Federation (NTDF), que exigem o fim da contratação de camionistas estrangeiros por empresas sul-africanas.

Um camionista de nacionalidade sul-africana, de 45 anos, foi morto a tiro na noite de segunda-feira e pelo menos 32 camiões TIR foram incendiados nas principais auto-estradas da África do Sul nos últimos dias, em resultado da recente onda de violência e vandalismo no país.

O ATDF, que nega o envolvimento dos seus membros nos incidentes de violência, ameaça impedir as empresas de operarem se os camionistas estrangeiros não se demitirem até 1 de Dezembro, segundo a imprensa local.

 

 

A organização regional SADC Crossborder Drivers Association) anunciou, por seu lado, a intenção de proibir a circulação “de todos os camiões registados na África do Sul fora das fronteiras do país”.

O economista sul-africano Mike Schussler considera que a actual onda de violência e vandalismo que afecta o sector tem tendência a “destruir” a economia regional da África Austral, sublinhado a dependência da África do Sul do transporte rodoviário de transitários, onde operam várias empresas moçambicanas e portuguesas